Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/03/2020

No antigo Império Romano, líderes romanos adotaram a política do Pão e Circo, que consistia na distribuição de cereais e apresentação de sangrentos episódios de brigas em arenas com o intuito de satisfazer a população. Na atual conjuntura é perceptível a repetição de tais medidas sendo espetacularizada pela mídia com a intenção de obter vantagens com as audiências geradas pela propagação da violência, uma vez que se tornou um dos maiores entretenimentos da população, e também um incentivo á violência por meio dos que o assistem.

Em primeira análise, vale ressaltar que a mídia exerce grande influência sobre a vida e comportamento do telespectador, portanto, por mais que seja livre de restrições devem ter a consciência de que tudo que é exposto  pelas TV’s são vistos por 89% dos brasileiros, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, e servem como “inspirações”  para crianças que assistem desenhos animados, nos quais exibem 20 crimes por hora de acordo com pesquisa da ONU. Contudo, incentivam a formação de futuros adolescentes fundamentados em um molde de uma sociedade criminal.

Em segunda análise, observamos que há na atualidade um grande aumento  da exibição de crimes nos noticiários pelo fato de ser um dos assuntos que mais prendem a atenção dos telespectadores,  e com isso aumentam a audiência em seus canais. Essas medias acabam gerando a banalização da violência, devido ao fato de ser um assunto comumente abordado  nos noticiários tornando-se fatos corriqueiros.

Infere-se, entretanto, que medidas são necessárias para diminuir a espetacularização da violência pela mídia. Cabe ao Ministério da Propaganda, proteger os jovens e as crianças com propagandas que conscientize os pais a terem maior controle do conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com o intuito de diminuir a exposição destes á violência. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação, conter o excesso da valorização e exibição de atos violentos, para fim de impedir a banalização desses atos que muitas vezes levam ate a morte.