Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/03/2020

Em uma sociedade tão globalizada a qual a informação - para o autor Ladislau Dowbor - se tornou “a nova fonte de informação”, sendo cada vez mais necessária, existe uma urgência por parte das mídias por proporcioná-la mais completamente ao telespectador havendo certa disputa entre essas empresas. Tudo isso acarreta na espetaculização da violência no país, por parte da maioria delas, causando fenômenos como a banalização desses atos cruéis e a glorificação de seus autores.

Toda essa busca desenfreada por audiência se torna perigosa e apelativa a partir do momento em que quanto mais cruel o crime, mais se quer destrinchá-lo e aprofundá-lo fazendo com que ele permaneça mais tempo no ar e tenha uma maior repercussão na população até que a notícia se torna tão desgastada que gera a banalização da mesma e, logo, da violência. Ou seja, já se tornou normal para o brasileiro ligar a televisão num jornal e ouvir falar em mortes. Um exemplo de noticiário que apela por “bater na mesma tecla” é o “Balanço geral” - da Record - que fica por pelo menos 20 minutos falando de alguns casos de forma repetida e redundante.

Todo esse tempo dedicado ao mesmo fato, em algumas situações, pode desenvolver uma certa glorificação do assassino - ou seja, quase todos conhecem seu nome - , nos casos onde há mortes, podendo aflorar apoio ao ato por parte de algumas pessoas. Por exemplo, um crime bastante notório foi o de Suzane Von Rechthofen que assassinou seus pais friamente em 2002 e, em fevereiro de 2020, foi anunciado o lançamento de dois filmes contando a respeito de seu crime.

A espetaculização da violência de maneira tão fria e banal pela mídia brasileira leva ao debate quanto ao papel da mesma na sociedade. Com isso, é extremamente importante que haja a responsabilidade e empatia ao noticiar os ocorridos e, além disso, se torna preciso a adoção de medidas como a não divulgação dos nomes dos assassinos, em certos casos, e um menor tempo de narração dado ao crime.