Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 21/03/2020

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita que “No meio do caminho tinha uma pedra”, metaforizando os desafios que impedem a plena formação de um bem-estar social. Nesse sentido, a poesia modernista pode ser aplicada à atual sociedade haja vista que a espetacularização da violência pela mídia nacional configura-se como um obstáculo no caminho do cidadão. Diante disso, evidencia-se que a má influência midiática, bem como a negligência governamental estão entre as principais barreiras que impedem o clímax entre os cidadãos tupiniquins.

Nessa circunstância, vale destacar que o “pai da sociologia”, Émile Durkheim, durante seus estudos, criou o conceito de consciência coletiva. À vista de tal preceito, o homem torna-se um produto do meio em que vive. Paralelo a esse pensamento, cabe mencionar a força influenciadora, gerada devido a um convívio contante com os meios sociais, que naturaliza ideais errôneos, como a violência exacerbada, na sociedade. Por conseguinte, parte da população perde a capacidade de se sensibilizar diante de fenômenos sociais catastróficos.  Nessa lógica, é verossímil que a nação torna-se um “produto do meio”, visto que a consciência coletiva ao seu redor limita e determina a mentalidade individual dos habitantes.

Além disso, cabe, ainda, pontuar que, sob a ótica da questão, o filósofo polonês Zygmund Bauman, na obra “Sujeito Líquido”,  apresenta a definição de “instituições zumbis”, o qual sugere que algumas entidades, no contexto vigente, agem de modo análogo a “mortos-vivos”. Desse modo, elas mantêm suas formas, mas sem exercerem suas respectivas funções sociais. Associado a essa lógica, convém observar a ineficiência do governo, posto que a falha na administração resulta na carência de uma limitação de conteúdo aos meios midiáticos. Nessa perspectiva, é aparente que o Estado assume o aspecto de uma “instituição zumbi”, pois, apesar de sua existência, não cumpre seu principal papel social: zelar pela saúde física e mental de seu povo.

Torna-se axiomático, portanto, adotar medidas para amenizar tal cenário. Logo cabe a Imprensa, de maneira geral, a tarefa de realizar programações não violentas, em horários nobres, por meio da utilização dos meios televisivos, como jornais e noticiários, com o fito de preservar o intelecto dos telespectadores.  Ademais, compete também ao Governo Federal a proibição da transmissão de conteúdos impactantes em redes abertas de rádios e televisões, mediante a votação de uma proposta no Supremo Tribunal Federal, visando manter a integridade intelectual da grande massa. Dessa forma, com a união dessas ações, pode-se esperar que a “pedra” no caminho dos brasileiros seja removida.