Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 21/03/2020
“Só falta alguém espremer esse jornal para sair sangue”. A priori, na música “Jornal da Morte” de Roberto Silva, nota-se uma crítica à valorização da veiculação de notícias violentas. Diante disso, percebe-se que o espetáculo da violência na mídia brasileira configura um sério problema e com graves consequências. Desse modo, medidas devem ser tomadas para combater os efeitos nocivos dessa prática para a população.
Em primeiro plano, segundo estudo publicado pela “American Medical Association”, nos Estados Unidos, a exposição de crianças à violência na televisão pode acarretar no desenvolvimento de comportamento agressivo, por conta destas apresentarem um baixo juízo de valor. Assim, fica evidente a toxidade para a juventude dos noticiários que exploram a crueldade em troca de audiência, e como isso pode afetar o futuro brasileiro, uma vez que esses crescem com uma visão negativa de mundo.
Além disso, para o jornalista “Reinaldo Azevedo”, a vida humana parece ter menos valor a cada dia e é inquestionável a colaboração da grande mídia para esse fato, pois com filmes cada vez mais violentos somados a reportagens demasiadas expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte e torna evidente a espetacularização da mídia brasileira algo a ser enfrentado pela população.
É necessário, portanto, que o Estado atue para mudar esse cenário. Então, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), proteger os jovens e as crianças, por meio de propagandas as quais conscientizem os pais a terem maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles a violência. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação (MC) conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.