Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

Sensacionalismo e deveres do jornalismo

Promulgada pela ONU, Organização das Nações Unidas, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos o direito a liberdade de expressão e ao bem estar social. Entretanto, a espetacularização da violência pela mídia causa certas consequências, o que impede que uma parcela da população desfrute desse direito na prática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Hodiernamente, a mídia exerce uma importante função na divulgação e cobertura de acontecimentos, porém ela utiliza discursos destorcidos de medidas sensacionalistas, buscando de alguma forma atrair a atenção do interlocutor, o que o influencia a fazer prejulgamentos e ter uma visão negativa da situação, comprometendo, assim, a seriedade do jornalismo brasileiro.

O papel básico do jornalismo é informar. O que é objetivado hoje é um jornalismo que utiliza ferramentas responsáveis em seu ofício, tendo o cuidado de não glorificar os assassinos. Recentemente, houve uma considerável movimentação nas redes sociais devido a uma reportagem exibida no programa ‘‘Fantástico’’, no qual retratava a vida de mulheres trans em presídios. O caso é que, não intencionalmente, o Doutor Drauzio Verella humanizou  Suzy, mulher trans em questão, por não receber visitas há 8 anos, sendo entrevistada e abraçada pelo Doutor,  sem ressaltar o possível motivo para tal: Suzy estuprou, estrangulou e ocultou o cadáver de um menino.

Diante dos argumentos supracitados, fica evidente que é de suma importância separar aquilo que é espetacularização do que é o papel básico do jornalismo. Dessa maneira, urge que, na confecção se uma reportagem, sejam realizadas as cinco perguntas básicas do jornalismo: Quem? Como? Onde? Quando? e Por que?, a fim de que o jornalismo brasileiro possua mais credibilidade, escapando da espetacularização.