Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/03/2020
Com o surgimento das tecnologias televisivas, as novelas se tornaram importantes meios de entretenimento na vida dos cidadãos, mesmo com a grande explicitação de violências cotidianas. Dessa forma, é essencial apontar não só as causas, como também as consequências do problema da espetacularização da violência pela mídia brasileira.
Em primeira análise, é primordial pontuar como a visão lucrativa da imprensa tem influência direta na problemática. Segundo o filósofo Gilles Lipovetsky, a perda do altruísmo, marcado nos dias atuais, leva a uma sociedade egoísta e ególatra. De maneira análoga, é possível fazer uma conexão com a busca de audiência a partir da exposição da violência. O caso da Isabela Nardoni em 2008, por exemplo, foi exaustivamente explorado pela imprensa, o que gerou uma espécie de notícia seriada, assim, deixando evidente a aproximação do jornalismo nacional a espetacularização das novelas. Por consequência, as vítimas de crimes e seus familiares são altamente expostos, muitas vezes, não respeitando ao menos o luto destes.
Ainda, é necessário ressaltar a naturalização da violência atual. De acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos e naturalizados a todo momento. Equivalente ao conceito, na realidade contemporânea, a violência tem se tornado cada vez mais banal e tratada como entretenimento até mesmo em jornais televisivos. O programa Brasil Urgente, por exemplo, em sua maioria, faz reportagens completas e ao vivo de crimes diversos, expondo todos os envolvidos e as opiniões pessoais. Por conseguinte, isto tende a influenciar pontos de vista públicos.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. A Secretaria da Cultura deve promover meios de entretenimento menos violentos, a partir do aumento de teatros públicos, de cinemas populares e de atividades familiares nos parques, a fim de dar mais opções de divertimento e assim, fazendo com que as pessoas escolham espetáculos além da violência midiática.