Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/03/2020
Entre os maiores representantes da escola literária Barroca, encontra-se Gregório de Matos, cognominado de “Boca do inferno” devido à sua ríspida maneira de expor conceitos. Em um contexto pós-moderno, os poemas satíricos cedem espaço, sobretudo, para as mídias digitais que, de maneira transvertida, mas sem perder a essência do autor seiscentista, são difusora de opiniões – aprazíveis ou não. Diante tal degradante realidade, a intolerância e suas facetas destruidoras tomam conta da sociedade seja pela crise da democracia digital ou até pela estereotipação extrema.
Em primeira instância, mostra-se necessário entender que a falsa democracia vivenciada atualmente cobre rastros da violência presente nos grupos minoritários. Segundo Lilia Schwarcz, em sua obra “Sobre o autoritarismo brasileiro”, o homem cordial – conceito de Sergio Buarque de Holanda – fora destruído e sua máscara de cordialidade caiu, deixando evidente sua intensa intolerância contra grupos em específico. Diante tal cenário, a rede – principal meio de comunicação – tornou-se ambiente propagador de aversão ao próximo, ato repugnante este, que se não controlado, poderá destruir o emocional de gerações futuras. Assim, meios governamentais devem interferir, garantindo a segurança de quem navega.
Outrossim, é notório que existe um preconceito enraizado decorrente de resquícios de uma sociedade pautada em bases hierárquicas. Consoante o mito procusto – de origem grega – a intolerância advém de uma comparação entre os indivíduos, proposta esta que se enquadra em padrões, e se o padrão de um indivíduo ser diferente do outro, um é dito como correto e outro é apedrejado e discriminado como incorreto. Dessa forma, consoante John Stuart Mill, a liberdade de expressão não pode se sobrepor sobre a dignidade humana, assim, o direito de pensar de um indivíduo não pode ir além do pudor do outro. Ademais, torna-se necessário o preenchimento de lacunas que impedem a correta fiscalização a respeito ao preconceito.
No desfraldar da discussão, portanto, medidas tornam-se imprescindíveis para a resolução da problemática. A priori, o Governo Federal, com apoio do Ministério da Educação, deve implantar uma disciplina de intolerâncias na grade curricular do ensino médio, por meio de dinâmicas em grupos, onde cada indivíduo passará por um teste no lugar da vítima julgada com o objetivo de conscientizar a população, para que assim possa-se desmistificar o prejulgamento implantado. Além disso, no ambiente familiar, precisa-se de um correto discurso dos pais para suas crianças, para que elas cresçam sem uma visão de mundo estereotipada, com a finalidade de ter-se um brasil igualitário e sem agressões a minoria. Destarte, o Brasil conseguirá resgatar a noção de democracia fidedignamente.