Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/03/2020
“O Abutre”. filme policial de drama e suspense americano, conta história do jovem Louis Bloom que enfrenta dificuldades para conseguir um emprego formal e decide entrar no submundo do jornalismo criminal. Seu papel é registrar crimes e acidentes chocantes em primeira mão, se apropriando de atitudes deploráveis como a manipulação de cenas criminais e causando acidentes para assim ter o registro e acesso exclusivo. Fora da ficção percebe-se que esse enredo tem inspiração com fatos do cotidiano, veiculação de notícias sensacionalistas pela mídia com o simples intuito de audiência. Fato esse que deve ser revisto e controlado pelo governo em prol da não banalização da vida.
Vale ressaltar que com o enraizamento cada vez mais profundo do capitalismo na sociedade atual, o objetivo principal é o lucro, e isso se reflete também na indústria cultural, por meio do imediatismo (competições entre empresas midiáticas sobre quem divulga primeiro) tendo como consequência notícias que não são 100% apuradas, o que causa a influência errônea e alienação do espectador. Outrossim é a utilização das redes sociais como lente de aumento dos fatos, usuários que se aproveitam desse ambiente “live” da internet e distorcem notícias em benefício próprio, além de divulgar vídeos de alto teor violento não só para chocar, mas também obter notoriedade e curtidas dos internautas.
A título de exemplo tem-se dois ocorridos em distintos meios de comunicação que retrata claramente a manipulação e espetacularização da violência no Brasil. O primeiro é o caso da Fabiane Maria de Jesus, morta por vizinhos após ser acusada de magia negra por uma notícia falsa na rede social. O segundo é com o apresentador do “Cidade Alerta” - Luiz Bacci - que revela ao vivo a uma mãe o assassinato da filha. Exemplos esses mostram a necessidade de uma nova mídia em que o lucro não seja o objetivo central, e sim o bem comum, a informação verídica e a sociedade.
Medidas, portanto, devem ser feitas para resolver esse impasse. O Ministério da Educação em conjunto com as Secretarias Municipais de Comunicação devem fornecer campanhas e palestras que promovam e incentivam a criticidade e filtração por meio dos indivíduos sobre o que é divulgado e consumido nos meios de comunicação, no intuito de desestimular conteúdos violentos e que não agregam. Somado a isso, órgãos do Poder Judiciário poderiam punir com multas e detenções empresas divulgadoras de conteúdos sensacionalistas e sem o mínimo de embasamento verídico. Dessa forma, a liberdade de imprensa somado a responsabilidade pelo o que é veiculado torna-se promissor.