Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 29/03/2020

Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Com a Revolução Digital, a informação tornou-se constante e excessiva, abrindo a possibilidade para novas problemáticas. Entre elas, a espetaculização da violência por parte da mídia como forma de markenting. Tal questão traz consigo novas consequências, como o incentivo à própria cólera dentre a nação e a irracionalização completa diante dos fatos.

Certo de que são milhões de brasileiros que acompanham os veículos midiáticos diariamente, deve ser questionada a forma como o conteúdo apresentado irá refletir naqueles cotidianos singulares e comunitários. Muito questionou-se a impressa pela maneira a qual retratou o caso do massacre em uma escola pública de Suzano, em 2019. Em uma reportagem exibida no programa “Fantástico”, um dos mais assistidos em todo o país, todos os passos dos atiradores foram mostrados. A pesquisadora americana, Jaclyn Schildkrau, professora de Justiça Criminal da Universidade Estadual de Nova York, alertou que a fama dada aos atiradores serve como recompensa e pode servir de inspiração a novos ataques. Além disso, pode se relacionar as semelhanças entre o caso de Suzano e o caso de Columbine (EUA-1999) que também teve grande repercussão midiática.

Outro ponto a ser visto, é a atenção dada pelos expectadores aos fatos por detrás do que é exibido nos veículos informativos. Utilizando ainda o caso citado, pode-se levantar outra hipótese. A forma de exibição da reportagem, cheia de detalhes, faz parecer que tudo que é mostrado ali é o que existe naquela circunstância. Embora esqueça-se que existiu uma seleção de imagens, momentos e falas para exibição, e que, com uma breve pesquisa em outros canais poderia se ter uma visão ampliada do caso. Indo a fundo na procura encontraria-se inclusive a recomendação dos especialistas de não fazer a completa exibição destes casos em relação ao impacto que se pode causar. Assim, quem encontra-se na posição de testemunha da mídia acaba criando uma ideia errônea dos fatos quando não vai atrás das mais diversas versões de uma mesma história, pois até chegar a estas pessoas, houve uma manipulação quanto a oque será exibido.

Em suma, é necessário a intervenção para que a notícia chegue à população de forma mais real e sustentável. É indispensável que a própria mídia, através de campanhas dos seus gestores como a ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e a AIN (Associação de Imprensa Nacional) busquem adequar-se no sentido de promover a informação com mais responsabilidade social. Ainda, as escolas, por meio do MEC, precisam de programas que busquem a educação digital. Esta é uma das exigências de um século poluído de informações.