Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/03/2020

Os veículos de informação que exercem o jornalismo tem como principal função a educativa, prezando pela qualidade e veracidade do fato divulgado. Além disso, tem o poder sobre grandes massas, com o objetivo de faze-las refletirem e se posicionarem. Então, quando a mídia assume um posicionamento diante do que está sendo retratado e toma medidas sensacionalistas, banaliza a profissão e tira o direito da sociedade de refletir e se posicionar. Portanto, a violência tornou-se algo repetitivo nos jornais, tornando comum e até mesmo normal, fator que reflete na sociedade de forma negativa, exigindo atenção sobre o mal uso da mídia.

É evidente o destaque da violência dentre os temas retratados em jornais. Isto ocorre por conta da tentativa do jornal adquirir novos telespectadores, como estratégia, os jornais romantizam os crimes, contam uma história por trás do delito, como se o meio justificasse o fim. Assim, ao invés dos telespectadores refletirem sobre a notícia e tomarem seu ponto de vista, eles são influenciados pela mídia, tornando aquele ato apenas uma violência em resposta a outra violência. Deste modo, a violência se torna um espetáculo, um entretenimento, algo rotineiro e uma consequência.

Dentre as violências exibidas pelos jornais, a violência doméstica é a mais comum. De modo que o feminicídio seja banalizado, tratado como algo justificável, comum e normal. Isto é o contrário do que deveria passar ao público, o crime contra a mulher deveria ser tratado como um problema, deixando claro a sociedade que a violência não tem justificativas, nem mesmo é uma consequência. Nesse sentido, deve ser feito uma problematização ao público, para que eles possam ser impactados e levados a uma reflexão, se posicionando através de uma solução.

Por conseguinte, medidas devem ser tomadas para que a mídia seja essencial e agregue a sociedade brasileira. Porquanto, a mídia tem utilizado a romantização de crimes para ganhar telespectadores, trazendo à tona a banalização dos delitos, entre eles o feminicídio. Visto que o jornalismo não tem exercido seu papel, o qual deveria informar e trazer reflexão aos cidadãos, o ministério da comunicação deve criar uma lei que impeça o uso do jornalismo como forma de espetacularização da violência, tornando essencial a revisão de todos os veículos de informação para que se tornem legais. Assim, os jornais se tornarão uma ferramenta que promova o intelecto dos cidadãos brasileiros e a espetacularização da violência será erradicalizada.