Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/03/2020
Segundo Steve Jobs, “a tecnologia move o mundo”. A frase faz alusão ao importante impacto que a tecnologia causa para a população. Diante disso, a espetacularização da violência pelos meios de comunição alavanca graves consequências, como a banalização da vida, e também a construção de indivíduos mais agressivos. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.
Em primeiro plano, cabe abordar a romantização da mídia sobre a realidade dos fatos, transformando-se em narrativas. O documentário “Quem matou Eloá?”, de Lívia Perez, debate como os meios de comunição transfiguraram o sequestro e o assassinato da jovem Eloá, em “crime de amor” ou “crime passional”, em que nas 100 horas na qual ficou presa foram transmitidas por diversos canais da televisão aberta, em tempo real, com ar de filme de ação. Logo, nota-se em como a mídia brasileita se aproveita de acontecimentos violentos para ganhar audiência, minimizando o crime do assassino. Assim, é notável em como a vida humana parece ter menos valor a cada dia e com ajuda das notícias demasiadas expositivas e desumanas colaboram para normalização da morte diante da sociedade brasileira.
Ademais, a mídia tem um papel importante no campo social de toda sociedade, através desse mecanismo essa instituição incute na população uma forma de agir e de pensar. Segundo a teoria da psicologia comportamentalista, o ser humano reage a estímulos externos recebidos do meio em que vive. Diante disso, com reportagens constantes sobre violências e a curiosidade pela narração do crime, acabam por ser uma das causas de uma nova cultura de ódio, em que essa aparece como um fato normal, corriqueiro, que faz parte do cotidiano. Assim, os indivíduos normalizam atos horrendos e absorvem grande parte das informações que lhe são apresentadas, crescendo com uma visão negativa do mundo.
Portanto, faz-se necessário criar mecanismos para combater a espetacularização da violência nos meios midiáticos. Desse modo, cabe ao Secom — Secretaria Especial de Comunicação Social, desonvolver campanhas que possam conscientizar toda a sociedade sobre a veracidade das reportagens e informar que crime nenhum deve ser romantizado, a fim de diminuir o número de telespectadores que assistem notícias que exploram atos de brutalidade e consequentemente, reduzir a audiência das emissoras. Dessa forma, utilizar a tecnologia para mover o mundo da maneira correta.