Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

Na antiguidade romana, eram promovidas lutas de gladiadores até a morte, com o objetivo de entreter e evitar conflitos políticos entre a população. No contexto atual, tal artifício de manipulação é utilizado por meios de comunicação, devido ao descaso estatal e ,sobretudo, por influência midiática.

Inicialmente, é interessante destacar a capacidade que a mídia possui de influenciar, em todos o âmbitos, na vida cotidiana. Nesse contexto, o apresentador Rodrigo Faro, em um de seus programas semanais, chorou após anunciar a morte de Gugu, seu parceiro de profissão. Entretanto, após sua saída do ar, o apresentador perguntou “como que tá a audiência”, dando a entender que seu suposto “choro” foi algo encenado, evidenciando a banalização da morte que o meio comunicativo aderiu atualmente.

Além disso, a escritora Hannah Arendt revela a banalização do mal que o regime Nazista impôs aos alemães na Segunda Guerra Mundial, em que a morte dos judeus era algo do cotidiano. Essa narrativa evidencia que se o Estado possui a prerrogativa de impor costumes ruins na população, logo, o mesmo tem a capacidade de influenciar positivamente os indivíduos.

Portanto, com o objetivo de evitar a propagação de conteúdos vinculados somente à violência, o Estado deve, por meio de campanhas publicitárias em horário nobre na TV, destacar ações benéficas de variados  ambientes comunitários, destacando eventos que incentivam a política de bem estar social. A mídia, por sua vez, deve incluir em suas grades jornalísticas conteúdos culturais e de lazer, de modo a tentar desviar a atenção do público para práticas produtivas e não somente de cunho violento.