Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 22/03/2020
Quando se fala de jornalismo brasileiro, é quase impossível não pensar em alguma reportagem relacionada a casos de tragédia, sejam eles de acidentes como o caso da boate Kiss ocorrido em 2013 ou do rompimento da barragem de Brumadinho em 2019, entretanto, o que mais se vê no dia a dia são casos de homicídio que sempre aparecem nos telejornais como o Jornal Hoje e Cidade Alerta.
Sobre o programa Cidade Alerta, esse programa de tv possui um bloco que trás operações policiais ao vivo, desde a perseguição de ladrões até conflitos contra traficantes. São reportagens diárias de violência que, indiretamente, influenciam os telespectadores, a banalizarem estes atos cometidos como roubo e homicídio, além de alimentar a vontade de querer fazer justiça com as próprias mãos, ou pior, influenciar os cidadãos a serem mais violentos como o caso divulgado pela rede TVT sobre o torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva que morreu atingido na cabeça por um vaso sanitário em 2014.
Segundo o professor de comunicação da USP Laurindo Leal Filho, quando entrevistado pela TVT em 2014 disse: “O Brasil vive numa guerra civil meio acobertada, que em determinados momentos, essa onda de violência acaba aflorando e que quando a mídia ao perceber isso na sociedade, ela a potencializa, dando destaque a essa violência.” Concluindo que a tv jamais deveria insinuar ou estimular esse comportamento.
Contudo, a mídia influencia com este tipo de entretenimento, podendo até trazer mais barbáries por conta da sua forte influência de formação de pensamento em função ao telespectador. Portanto, seria recomendável que os meios de telecomunicações fossem mais ecléticos em relação aos seus programas trazendo algo mais saudável, criativo e prazeroso de ver, para garantir que a população deixe de ver tanta brutalidade e sofrimento e achar que é algo normal.