Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

O gênero dramático, popularizado na Grécia Antiga e no Renascimento se destacou no que tange a espetacularização da violência. Em obras como Hamlet, o assassinato é transformado em parte poética e apogeu da obra, chegando até mesmo a ser temática de uma peça dentro da própria peça. Esse enredo impressiona até hoje, mas pode ser prejudicial no contexto da democracia de direito, já que impacta na opinião pública, e mesmo pode culminar na banalização do crime.

Inicialmente, é essencial destacar o poder da mídia na formação das opiniões públicas e sua importância no contexto democrático. Se por um lado, a criação da imprensa na idade média, por Gutenberg, ampliou o alcance do conhecimento escrito, por outro, deu poder para que intelectuais que dominassem a retórica fizessem uso de sofismas para manipular o povo. Assim, com a popularização da televisão, ainda mais gente pode ser atingida, e a mídia tornou-se ainda mais forte, e por conseguinte mais perigosa. Tomando como base o pensamento de Freud é perceptível a capacidade da televisão de aflorar a violência inata do homem que pode estar em seu subconsciente.

Por conseguinte, a massificação de conteúdos violentos é capaz de banalizar a vida, tornando o indivíduo alheio àqueles acontecimentos. Então, o indivíduo como ator social de mudança pode não perceber violações intensas de seus direitos ou de outros cidadãos, princípio essencial para a busca do sumo bem, como defendia Aristóteles. É nesse sentido que a mídia erra, uma vez que canais disponibilizam interruptamente conteúdos de violência extrema, sem promover debates profundos sobre suas causas e os meios de combate-la.

São necessárias, portanto, medidas que preparem o público, de forma que a banalização e os estímulos deste tipo de conteúdo não ocorram. Como primeiro ponto, cabe ao Ministério da Educação criar oficinas de cultura na escola, de forma a tornar os alunos críticos à espetacularização da violência, entendendo a diferença entre teatro e jornalismo. Ainda, é fundamental que o público em geral, amparado por campanhas televisivas do governo federal, denuncie nas redes sociais os canais os veículos jornalísticos que abusam da imagem violenta, fazendo uso deste novo recurso democrático.