Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/03/2020
A espetacularização da violência na mídia pode causar na sociedade um sentimento de impunidade e ineficácia da justiça, que por conseguinte acarreta comportamentos nocivos de determinados grupos de pessoas, além de reafirmar estereótipos racistas sobre determinados grupos sociais.
Em princípio, cabe analisar os impactos negativos que a constante exposição a notícias violentas causam na sociedade. O sentimento de impunidade e ineficácia da aplicação das leis, vêm influenciando em diversos episódios violentos. De acordo com o sociólogo Jose de Souza Martins em seu livro “Linchamento: a justiça popular no Brasil”, em seis décadas mais de meio milhão de brasileiros participaram de ações de justiçamento de rua. Em consonância com o aumento da violência na sociedade, Hannah Arendt classifica este episódio ao enfraquecimento do poder do Estado.
Por conseguinte, existe um perfil de vitimas e infratores determinados e televisionados.O que contribui para a perpetuação de um esteriótipo racista. De acordo com Howard Becker, pensador da escola positivista, em seu livro “Outsider”, o processo de formação da seletividade penal ocorre através da “Teoria do etiquetamento social”, onde grupos sociais são considerados à margem do comportamento aceito. Algo visível no Brasil diariamente nos noticiários, visto que 75% das vitimas de homicídios são negras.
Logo, devido ao grande alcance que a mídia tem na sociedade, compete ao Poder Público dentro dos limites constitucionais, estabelecer formas adequadas de controle e classificação dos programas a serem exibidos. O Governo deve também ter a iniciativa de fortalecer as redes de TV estatais, ampliando o seu alcance, diversificando sua programação tornando-a mais atrativa. Para isso, instituições como o MEC podem contribuir para a construção de programas que visem a formação cidadãos conscientes, auxiliando assim no combate à violência propagada diariamente.