Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 22/03/2020

Desde o século XVI, com as Grandes Navegações e a criação da Imprensa, observamos o início da globalização na nossa sociedade, por intermédio da interligação de culturas e impressões tipográficas. Com o passar dos séculos, podemos perceber o proeminente avanço da globalização no nosso meio social, proporcionando assim a demasiada repercussão de informações em menor espaço e tempo. No século XX, por exemplo, houve a criação da primeira televisão por John Baird e, no século XXI, de aplicativos de comunicação, como o “Whatsapp” e “Facebook” - ambos com o propósito de favorecer a interligação entre as pessoas de forma mais rápida. Não obstante, será mesmo que a era da informação só trouxe benefícios para a nossa sociedade hodierna?

Com a enorme rapidez das notícias, proporcionada pelos avanços tecnológicos, há a ocorrência do bombardeamento de informações a todo instante, não permitindo que o homem seja capaz de compreender a realidade dos fatos, uma vez que não há tempo para assimilar ou questionar a notícia transmitida.

Segundo o Materialismo Histórico de Karl Marx, nossas ações e pensamentos são determinados pelo meio de produção em que estamos inseridos. Como vivemos em um sistema de produção capitalista, não é de estranhar-se que o sensacionalismo midiático seja encontrado no nosso cotidiano. Concomitantemente ao avanço do capitalismo e da globalização, o objetivo do lucro tornou-se uma obsessão, influenciando assim a Indústria Cultural (sobre ação da mídia) a impor uma Cultura de Massa baseada em catástrofes, polêmicas, politicagens e fofocas que não favorecem o senso crítico do cidadão - corroborando, assim, para os efeitos da alienação e da banalização do sofrimento.

Nesse ínterim, vale ressaltarmos a atuação do jornalismo sensacionalista (como o Jornal “Cidade Alerta” da Emissora Bandeirantes), que ao invés de exercer o seu papel de informar à população acerca de tudo que ocorre no meio social, obtém como objetivo maior o lucro, por meio da divulgação de notícias trágicas e fofocas para atingir maior audiência e assim obter mais popularidade nas redes sociais que valorizam muito o espetaculo envolvido em comunicar uma noticia.

Portanto, é nítida a importância de dirimir a influência negativa da mídia. Sendo assim, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais de Comunicação, fomente debates à população, por intermédio de propagandas midiáticas e palestras nas escolas, acerca da importância de criticar as informações passadas pelos veículos de comunicação, a fim de que o senso crítico possa ser construído, uma vez que a espetacularização da mídia favorece a alienação do indivíduo.