Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/03/2020

A espetacularização é uma forma do capitalismo transformar tudo em mercadoria. E isso, apresenta consequências graves quando se trata da violência, visto que sua espetacularização ajuda na construção de mentes agressivas. E estas, por sua vez, acabam se perpetuando na sociedade. Nesse sentido, a mídia deve exercer seu papel de informar, trabalhando a favor do bem para a sociedade, deixando seus interesses de lado.

Conforme mencionado, a mídia espetaculariza a violência para poder chamar a atenção do público e assim ter audiência. Segundo a obra “Sociedade do espetáculo” de Guy Debord, na qual critica a cultura de consumo saturada de imagens, ele afirma que essa espetacularização da violência é uma maneira de mercantilizar essas imagens. Porém, isso causa consequências para a sociedade, visto que acaba se tornando algo normal. De acordo com a obra " Banalidade do mal" de Hanna Arendt, que retrata o julgamento de Eichmann, um funcionário do governo nazista que dava ordens para matar judeus, ela afirma que o mal para ele era uma rotina, tornando- se portanto um mal banal. Assim sendo, a violência torna-se algo rotineiro, fazendo com que as pessoas não se surpreendam mais, causando a multiplicação da violência.

Considerando esse contexto, a espetacularização da violência é um mal histórico. Havia na Roma antiga a política do pão e circo, na qual se dava pão e espetacularizavam a violência para entretenimento da plebe. Assim sendo, os tempos mudam, mas o circo permanece. Nesse sentido, foi criado um “habitus”- termo desenvolvido por Pierre Bourdieu que consiste na internalização de estruturais sociais - e isso vem trazendo consequências como a construção de mentes violentas, visto que as crianças aprendem que a melhor forma de de se defender é através da agressão .Dessa forma é notório que isso ajuda na distorção da visão de mundo dos jovens.

Então, a mídia deve por meio de novelas, jornais e internet, visto que são veículos de comunicação de massa,  elevar o patamar civilizatório da sociedade, não comercializando a violência, a fim de evitar a multiplicação desta, desconstruindo o “habitus” criado.