Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Em sociedade do espetáculo, Guy Debord trata de como a sociedade contemporânea tende a espetacularização da vida. O pensador francês defende que a população é transformada em espectadores passivos, a medida que grandes questões sociais não passam de imagens a serem consumidas. Tal conceito pode ser claramente observado em diversas áreas sociais, mas essencialmente ajuda a compreender o modo como a violência tem sido abordada no cenário midiático atual.

O trabalho realizado pelos veículos de comunicação em informar a população é absolutamente essencial, no entanto, a busca por maiores audiências tem distorcido a missão real da profissão, tanto quanto seus limites. Telejornais, de modo continuo, tem abordado a violência de forma grosseiramente potencializada e explícita, provocando sentimento de ódio nos telespectadores, e ao mesmo tempo uma certa naturalidade com o cotidiano de barbárie.

Logo, nota-se não uma banalização da violência, ademais a historia mostra que ela sempre esteve presente em todas as épocas e sociedades, mas observa-se, na verdade, uma banalização da vida. O fato é, que a forma como a imprensa retrata os casos, pode influenciar atitudes de apoio a resoluções violentas de conflitos. Além disso, a lentidão da justiça brasileira, bem como o baixo índice de solução de crimes, causa sensação de impunidade, consequentemente dando mais abertura ao apoio à selvageria.

Todavia, afirma que o televisão e os meios de comunicação em massa geram violência é um equívoco. Há sociedade em que tais tecnologias praticamente não chegam por falta de energia elétrica, como certas comunidades no interior da Africa e da Ásia, e nem por isso são, nem vagamente, sociedades mais pacíficas. Por tanto, sim, a TV e os demais meios comunicativos incentivam e tem uma parcela de culpa pela influência, mas, de forma alguma  são responsáveis  pela violência humana.

Dado o exposto, recai primeiramente sobre o ser humano, o encargo de lidar melhor com as situações de estresse, evitando sempre a violência. E segundamente, cabe  aos meios de comunicação em massa, o dever de contribuir para eleva o patamar civilizatório da sociedade, e não o contrário. Para tais fins, faz-se necessário a fiscalização, por intermédio do Ministério Público Federal (MPF), dos telejornais e demais mídias, respeitando a liberdade de expressão, é claro. Somados a isso, a criação de programas de entretenimento, esporte e laser, por meio de verbas governamentais, também provariam-se eficazes, afim de reduzir os níveis de estresse da população.