Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/03/2020

A música “Jornal da morte” de Roberto Silva faz uma crítica veraz e necessária a atual situação da espetacularização da violência pela mídia brasileira. À Vista disso, a superexploração da violência tem como base somente o interesse individual, de expansão de audiência e lucros, e não o coletivo, de modo que ausenta-se de pensar e atuar sobre suas problemáticas. Desse modo cabe a análise dos principais impactos que esta ação tem na sociedade.

Mormente, é necessário avaliar que, quando o intuito torna-se somente o interesse próprio, deixa-se de respeitar os demais envolvidos, que inúmeras vezes estão fragilizados e são exposto de maneira insensível e exagerada, tudo para que se possa ter um espetáculo que chame a atenção do público. Destarte, com a corrida que existe entre os concorrentes para ver quem cobrirá primeiro a reportagem, imensuráveis vezes, passa-se informações errôneas ao público, ao mesmo tempo em que se deixa de passar informações realmente relevantes.

Não obstante, esse bombardeamento de fatos violentos, sem muito embasamento, não proporciona um espaço para debate e reflexão, somente banaliza a violência. Ademais, a naturalização desta, potencializa a recriação dela em indivíduos, principalmente em crianças e adolescentes, que ao serem expostas a este tipo de notícia acabam por ter comportamentos e ações agressivas, conforme estudos publicados na revista “Science”, em abril de 2002.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para dirimir esta problemática. Torna-se necessária a reavaliação das condutas consideradas corretas, sem que se restrinja a liberdade de expressão. Sendo assim, cabe ao poder Legislativo a criação de leis que imponham limites a essa espetacularização, de modo a garantir que os danos à sociedade sejam mínimos; e ao Executivo que essas leis sejam cumpridas, para que assim a sociedade seja respeitada e possa conhecer outras formas de civilização.