Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/03/2020
Título: A sociedade refém da mídia
O papel primordial do jornalismo é informar as pessoas. Para cumpri-lo, os emissores (jornalistas) utilizam uma linguagem completamente impessoal, sem emoções ou subjetividade para que seus receptores (público) recebam a mensagem (informação) de maneira mais próxima à realidade. No entanto, apesar da forma descrita ser a mais correta e ética de se fazer jornalismo, em grande parte não é o que gera audiência. Para atrair o público, a notícia deve ser impactante, de modo que as pessoas se emocionem e sempre queiram ao mesmo noticiário. Em virtude disso, muitas consequências negativas ocorrem na sociedade, sendo as principais o medo constante e a insegurança jurídica.
A temática de diversos noticiários que passam diariamente (principalmente na tevê aberta) está relacionada em grande parte à morte, violência, desastre, pânico e desespero. Tudo isso gera medo e angustia. Tais sentimentos impedem que a audiência raciocine e questione o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Assim como descreve Platão em “O mito da caverna”, essas pessoas ficam presas na caverna, isto é, reféns daquilo que é passado pela mídia e não veem o que acontece na realidade – fora da caverna. Para enxergar a luz do sol fora da caverna, ou seja, entender de maneira crítica o que se passa no país, os indivíduos devem se conscientizar, pois, vendo que tais veículos de comunicação são sensacionalistas, não os assistirão mais.
Além do medo, a mídia por disseminar com linguagem não adequada que muitos criminosos são soltos e cumprem apenas parte da pena, causa a impressão de que não existe qualquer impunidade e que o Brasil tem incapacidade jurídica. Como resultado, discursos e atitudes radicais da sociedade civil ganham força. Um exemplo disso foi o caso de um jovem linchado até a morte em 2015, no Maranhão, por ter roubado um celular. Em suma, por causar raiva e esse sentimento de impotência da justiça, a mídia agrava mais ainda a violência.
Em vista do que foi argumentado, é sabido que o papel do jornalismo é o de informar. Porém, a maneira como alguns noticiários transmitem o conteúdo gera consequências negativas como o medo e o sentimento de impunidade – isso acaba agravando a violência e a não compreensão do que ocorre de fato e o porquê. A fim de mudar tal situação, todas as esferas do governo devem realizar palestras a respeito dos problemas que acarretam o Brasil e como soluciona-los e demonstrar que é imprescindível a participação da sociedade civil para melhor compreender o que deveras ocorre na realidade e tentar melhora-la. Desse modo, os brasileiros não ficarão reféns dessa mídia sensacionalista.