Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 23/03/2020

A violência faz parte da história da humanidade desde a sua origem. A literatura sobre esse assunto é prolífera, tendo recebido a contribuição de muitos pensadores ao longo do tempo. Há violência quando, numa situação de interação, vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou mais pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais.

O conceito abarca os planos antropológico e sociológico: antropológico porque os instintos são entendidos como derivados da cultura, o que torna o desconhecido hostil, originando a agressão, a ira e o combate; e sociológico por admitir diferença de interpretações, destacando que um sistema é constituído de variáveis associadas ao meio ambiente, equilibrando o comportamento em sociedade.

Nesse contexto de violência e cultura, é preciso considerar os avanços das tecnologias da comunicação e da informação, que projetaram a informação a patamares jamais observados. Das mídias impressas às eletrônicas, das redes sociais aos blogs e microblogs, a sociedade nunca produziu nem recebeu tanta informação como nos dias atuais. O celular, por exemplo, no decorrer de seus cerca de 40 anos, integrou-se completamente ao cotidiano das pessoas.

Esse grande acesso à tecnologia e à informação serviu, de um lado, para trazer facilidade e conforto à vida das pessoas; de outro, trouxe também o distanciamento ao qual se refere Caldeira quando alerta para a distância entre as classes nas cidades contemporâneas como um dos fatores decorrentes do crescimento irreversível da tecnologia.