Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 15/06/2020

Cada vez mais a mídia faz proveito do ódio e da ira presente na sociedade, como forma de show a ser assistido pelo público. Sendo um instinto da sua autodefesa, o indivíduo fica cada vez mais insensível e violento perante a sociedade, já que é um tábua rasa, segundo Aristóteles.      Primeiramente, a mídia usa a violência e a degradação moral como um espetáculo. Isso porque, claramente, é o que mais gera audiência, por provocar um grande impacto no público. Um exemplo dessa espetacularização da violência é o programa “Polícia 24h”, mostrando em primeira mão o processo de aprisionamento de pessoas que causaram algum mal a sociedade, expondo ao público armas, brigas e muitas vezes mortes. Isso causa na sociedade graves efeitos, já que a violência tende a se tornar algo cotidiano.

Consequentemente, a extrema agressividade diária que a mídia faz questão de mostrar molda o ser humano a ser mais violento. A prova disso é o livro “Sapiens: a história da humanidade”, dizendo que o ser humano é extremamente adaptável, o que ajuda na sobrevivência, atingindo uma enorme evolução. Ou seja, se um indivíduo acompanha essas exposições diariamente, tende a se acostumar e se moldar para que sobreviva no ambiente onde se encontra. Com isso, o divertimento em forma de violência pela mídia, causa grandes impactos.

É necessário, portanto, que o Estado atue para mudar esse cenário. Então, cabe ao Ministério da Propaganda proteger os jovens e as crianças, por meio de propagandas as quais conscientizem os pais a terem maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos na televisão, com intuito de diminuir a exposição deles a violência. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e videos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de morte.