Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Uma das personagens mais memoráveis da telenovela brasileira, Nazaré Tedesco é reconhecida por seus crimes cruéis, em “Senhora do Destino”. Entretanto, não é só na ficção que a mídia do país espetaculariza a violência, tendo casos, a exemplo dos assassinatos da Isabella Nardoni e da Eloá transmitidos e repercutidos na televisão por meses. Dessa forma, pode-se afirmar não só que essa atitude contribui para que a violência seja banalizada ,como também questiona o papel do jornalismo no Brasil.

Em primeiro viés, o Ministério da Justiça e Segurança Pública registou no ano de 2019 mais de 50 mil pessoas mortas por homicídios. Sendo assim, o país vive uma “Guerra Civil” ,contudo, historicamente a nação brasileira é eufemista quanto à violência, como disse o historiador ,Leandro Karnal. Dessa forma, é possível afirmar que a mídia televisiona tantas crueldades, visto que há audiência e aceitação por parte dos cidadãos, mostrando mais uma vez a banalização sobre o assunto. Diante disso, promover coragem onde há medo, promover acordo onde há conflito e inspirar esperança, devia ser não só o propósito do ativista sul-africano Nelson Mandela, mas de todos.

Em segundo viés,  jornalismo deve ser entendido como responsável por buscar, investigar, redigir e transmitir notícias, através dos meios de comunicação. Sendo assim, cabe a essa instituição informar, e não fazer prejulgamentos aos crimes televisionados, ou ainda se aproveitar da tristeza das vítimas ou de seus familiares para conseguir acessos e telespectadores.Isso pois, como diria o filósofo francês Jean Paul-Sartre, a violência, seja qual for é uma derrota, assim, a espetaculação dessa só faz com que crie um ciclo vicioso, que gera consequências sérias, a exemplo do Brasil ser o nono país mais violento do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Portanto, a espetaculação da violência pela mídia é um problema que gera tanto a banalização do assunto, como também o questionamento de que esse é mesmo o papel que essa instituição deve ter na sociedade brasileira. Dessa forma, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, coordenado por Sérgio Moro, que proíba a divulgação de dados ,como o nome dos criminosos e o detalhamento da execução de tais atos, assim como ocorreu nos homicídios de Isabella Nardoni e de Eloá. Isso será feito por meio de uma lei que oriente os jornalistas a não pré-julgar os fatos transmitidos, assim, poderá o país seguir o exemplo do grande líder Nelson Mandela, antes que, o Brasil seja reconhecido por ser um território de “Nazarés”, onde se tem plateia para a atual “Guerra Civil” alertada pela OMS.