Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/03/2020
No filme “Os Condenados”, do diretor Scott Winer, é contada a história de Jack Conrad, que após sua condenação a morte, é vendido para um produtor de televisão que o forçará a lutar até a morte com outros condenados, para exibição em seu programa. Fora das telas, no Brasil, a espetacularização da violência pela mídia segue constante, trazendo consequências para a sociedade.
Primeiramente, convém ressaltar o papel da imprensa e sua influência considerável sob a população. Sendo o Brasil um Estado Democrático de Direito, o seu principal aspecto, a democracia, tem a imprensa como uma de suas ferramentas primordiais de manifestação, que mantém todo o povo à par do que acontece em sua nação e através dessas informações formem opiniões baseadas em fatos verídicos. Contudo, tal ferramenta, contraditoriamente a sua função, tem cedido aos números expressivos de audiência adquiridos por matérias sensacionalistas, visto que essas são 70% mais divulgadas, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e deixado de lado sua função que é vincular informações verdadeiras e de interesse social.
Desse modo, fatores negativos, como a violência, são divulgados massivamente e tem como consequência sua normalização ou incentivo, dado que, segundo a revista americana “Science” a exposição diária de adolescentes e adultos jovens a cenas de violência na televisão, está intrinsecamente ligado a atos de agressividade futuros, fato deveras nocivo para a população.
Assim sendo, são necessárias medidas que revertam a situação. O Ministério da Educação, junto a faculdades de Jornalismo, devem criar matérias e políticas que reforcem a ética, filosoficamente o melhor para a harmonia social, na imprensa, educando os futuros veiculadores de informação. Ademais, promova a distribuição de cartilhas educativas, que alertem a população sobre os riscos trazidos pela constate exposição a violência, resguardando a sociedade de prejuízos futuros.