Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/03/2020

O Império Romano, um dos berços da civilização ocidental, foi um grande celeiro das atividades de entretenimento voltadas ao povo. Os Romanos construíram Anfiteatros onde aconteciam diversas tipos de atividades culturais, inclusive lutas mortais entre gladiadores, com o intuito de divertir as pessoas. Nesse sentido, desde o período da Roma Antiga, a violência está presente como forma de espetáculo na sociedade, fato este que ainda se mostra presente nos tempos atuais por meio da divulgação midiática. Desse modo, torna-se basilar o reconhecimento dos principais impactos da espetacularização da violência, com foco na exposição dos envolvidos e na disseminação da violência na atualidade.

Em primeiro plano, é perceptível que a exposição dos envolvidos, principalmente em veículos de massa, podem causar danos irreversíveis aos indivíduos, inclusive na saúde física e mental. Segundo  o filósofo Jean Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, independente da forma como se manifesta. Nesse sentido, é evidente que a violência não pode ser a solução para os diversos problemas do cotidiano, tampouco atos de selvageria expostos como se fossem naturais, causando a invasão na vida privada dos envolvidos, especialmente em homicídios, quando os familiares da vítima são prontamente alvo das câmeras e microfones das emissoras de TV e dos portais de notícias on-line., tudo isso em busca da audiência. Logo, é nevrálgico uma profunda reflexão acerca da ética profissional no jornalismo e na sociedade de forma mais ampla.

Outrossim, cabe salientar que a disseminação da violência no dias atuais pode causar inúmeros reflexos nas pessoas que têm acesso a esses conteúdos, inclusive por jogos digitais. Segundo dados os dados mais recentes do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, até 2017, o Brasil ocupou a 12ª posição no ranking mundial de números de homicídios a cada 100 mil habitantes, ficando, apenas, à frente da Venezuela na América do Sul. Com base nesses dados, é evidente que a violência está intrinsecamente ligada ao cotidiano do brasileiro. Destarte, essa exposição nas mídias pode causar um sentimento de normalidade da violência, podendo causar, inclusive, novos atos de violência inspirados nos acontecimentos anteriores.

Conclui-se, em síntese, que a espetacularização da violência possui um sólido liame com a exposição dos envolvidos e com a disseminação da violência nos dias atuais. Diante disso, é fundamental que o Poder Executivo, por intermédio da Secretária da Cultura, desenvolva ações relacionadas ao combate à violência do país, por meio de oficinas, palestras e aulas em escolas e grupos comunitários. Com isso, expecta-se a capilarização das ações e a efetivação da diminuição da violência e, consequentemente, da espetacularização da violência da sociedade brasileira.