Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/03/2020
Na Roma Antiga, o imperador Justiniano desenvolveu uma política a fim de entreter o seu povo enquanto camuflava falhas governamentais, a prática ficou conhecida com ‘Pão e Circo’. Desse modo é possível notar tal método adaptado ao século XXI, onde a mídia brasileira supervaloriza notícias impactantes para chamar a atenção da sua audiência. Assim fica evidente a problematização dessa cultura violenta, uma vez que os fatos são distorcidos para parecerem mais interessantes.
Em tempos de Fake News, a problemática dos espetáculos midiáticos torna-se um problema ainda mais considerável, uma vez que notícias estrondosas podem gerar abertura a diversas interpretações. Além disso, as informações mais intensificadas do que o suposto muitas vezes tentem a desviar a atenção do telespectador, da informação central. Colaborando para a disseminação de notícias distorcidas ou falsas por falta de compreensão adequada.
Somado a isso, segundo a psicologia, emoções fortes como o medo, a paixão são usados pela mídia como instrumentos de manipulação, uma vez que isso ‘prende’ a atenção das pessoas, e não só, como também desperta sentimentos de revolta e injustiça. Da mesma forma, informações muito impactantes também podem ter reflexos na saúde mental do indivíduo, quando esse passa, de forma introspectiva, a absorver o ódio e a raiva exibidos.
Dado o exposto, as empresas de telecomunicação, e todos canais de informação devem apresentar a real intensidade da situação anunciada, sem margem para possibilidade de interpretação alterada, evitando manchetes exibicionistas, posts e reportagens fora da realidade. Assim seria possível diminuir a espetacularização da mídia no Brasil, minimizando notícias falsas e mantendo a saúde emocional das pessoas.