Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

Há efetiva diferença entre noticiar o cotidiano e propagar a violência. E ao passo em que a decadência das relações humanas se torna cada vez mais inevitável, a proliferação de notícias de cunho hostil e brutal, somente contribuem para a manutenção dessa cultura violenta. Que impulsionada pela tecnologia, ganha força em um país educado e manipulado pela mídia.

É preciso afirmar que a tecnologia ampliou a capacidade humana de conexão, reduzindo distâncias continentais e tornando instantânea a difusão de informações. O imediatismo da comunicação contribui para alavancar a necessidade por audiência, em especial dos meios televisivos, que progressivamente perdem espaço para as redes sociais. Dentre as principais metas de uma emissora, está o entretenimento do público por meio de uma programação diária saudável. O que difere demasiadamente da realidade exibida pelas telas brasileiras. Que expõe um cenário baseado na exploração da selvageria humana, sem escrúpulo ou empatia.

Aliás, longe de culpar somente a televisão pela proliferação da violência gratuita, ao passo em que as próprias redes sociais lucram com o compartilhamento de vídeos, imagens e textos oriundos da necessidade de extravasar desejos individuais repugnantes. E atrelado a esse instinto primitivo, a ausência de qualquer forma de tutela sob o que é transmitido, torna esses meios verdadeiros reality shows dos horrores. Bem como a falta de preocupação com a exposição de famílias  de vítimas e envolvidos, extingue quase que por completo qualquer traço de solidariedade com a dor do próximo.

Não é porque a cultura existe e é antiga, que deve ser perpetuada. É imprescindível que órgãos legisladores proponham a criação de leis que limitem o alcance e o conteúdo exibido em redes de comunicação, bem como tornem efetivas e severas punições para descumprimento de normas como a classificação indicativa. Há ainda a necessidade de conscientizar cidadãos quanto aos aspectos negativos da excessiva exposição a tais meios.