Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/03/2020

Desde os primórdios da humanidade, a civilização espetacularizava a tragédia humana, intensificando o interesse que o macabro desperta nas pessoas. Fatos violentos, continuam sendo explorados como meio de atrair multidões, hoje, através da mídia, de modo efusivo. A banalização da vida e a agressividade são conseqüências diretas dessa relação entre a exposição à violência na televisão e as causas da glorificação da mesma. A mídia é um recurso conquistado pelo homem que deve, ele próprio, encontrar meios de inibir seus reflexos adversos, pela razão inteligente, e estender o debate, até que se viabilize um final feliz para esse filme cujo papel principal cabe à própria sociedade. Portanto, como a mídia influencia o comportamento humano ou mesmo a compreensão da realidade?

Para Karl Marx, a violência seria resultante das lutas de classes, fruto das contradições das conquistas, da modernidade e do capitalismo. Há aqueles que acreditam fielmente na violência midiática mostrada na televisão por meio de noticiários e reportagens. Assim, verifica-se que a construção da realidade televisiva entra em um conflito direto com a realidade humana, pois a imprensa discorre e polemiza fatos, como a morte, causando grande impacto na vida social da população brasileira, principalmente em jovens e crianças. A espetacularização da violência pode vir a despertar sentimentos agressivos naqueles que já tem uma pré-disposição pelo próprio senso de justiça, pela vingança, ou naquele que apenas tem o desejo de matar, disseminando a violência.

Segundo o jornalista Reinaldo Azevedo, em uma coluna da “Revista Veja” - a vida humana parece ter menos valor a cada dia - e é inquestionável a colaboração da grande mídia para esse fato, pois com filmes violentos somados a reportagens expositivas e insensíveis colaboram para normalização da morte. Ainda assim, não se pode atribuir aos meios de comunicação a total responsabilidade  pela promoção da violência como está instituída, mas também cabe aos mesmos uma contribuição às políticas de combate à não violência. Entretanto, a mídia explora ao extremo os fatos e acontecimentos violentos, ampliando sua importância e divulgação, às vezes envolvendo-os em uma aura de glória.

É necessário, portanto, que o Estado atue para modificar esse cenário. Cabe ao “Ministério da Propaganda” proteger jovens e crianças, por meio de campanhas as quais conscientizem os pais a terem maior controle sobre o conteúdo assistido pelos filhos, com intuito de diminuir a exposição deles a violência. Além disso, cabe ao “Ministério da Comunicação” conter o excesso da glorificação e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de uma fiscalização comunicativa, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização da vida e da morte.