Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 24/03/2020

Ao longo da história humana, a violência foi apresentada como espetáculo, como na Roma antiga em que as lutas entre gladiadores no Coliseu serviam de entretenimento para a população. Hodiernamente, a exibição de tragédias como divertimento é ainda uma realidade divulgada pelas mídias brasileiras. É notório que a espetacularização de fatalidades tem como consequência duas principais problemáticas: a  banalização dos crimes e o incentivo a violência.

Em primeira análise, é evidente que, a exposição exacerbada de calamidades pela mídia influi o sentimento de banalidade dos crimes nos telespectadores. No livro ‘‘Eichmann em Jerusalém", a autora  Hannah Arendt, conta a a história do burocrata Eichmann, construidor de ferrovias responsáveis por levar os Judeus aos campos de concentração, que em seu julgamento não reconhecia o papel no holocausto que teve por , em suas palavras, só construir máquinas. Logo, Hannah define esse traço de personalidade relacionado a falta de reflexão como banalidade do mal. Pode-se deduzir portanto que esse sentimento denominada pela escritora é despertado pela alta exposição de crimes o tempo todo.

Ademais a espetacularização de crimes, feita pelas mídias, incentiva a práticas destes.É notório na cultura popular a romantização de violências como é o caso de personagens famosos como o Jason, Coringa, Freddy Krueger ou mesmo Batman, considerado mocinho mas que comete crimes em nome do que ele considera  justo. Pode-se observar que as coberturas sensacionalistas de delitos cria, da mesma forma que gibis e filmes, celebridades que, indiretamente, influenciam outras pessoas a seguirem o mesmo caminho de desfortunas, em busca de fama e reconhecimento.

Faz-se premente que diligências sejam tomas para que a espetacularização da violência pela mídia brasileira não mais seja uma realidade. Portanto para solucionar este revés o Ministério da Comunicação deve conter o excesso de notícias com teor violento e atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, o qual estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização de mal. Assim, após tomadas essas medidas, terá melhora no cenário noticiário brasileiro.