Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Mídia circense Tendo como objeto de estudo a Roma Antiga, um aspecto cultural muito utilizado como ma-terial de inspiração para filmes do gênero épico — a exemplo de “Gladiador”, do diretor Ridley Scott — é a espetacularização da violência, tendo como palco emblemático o Coliseu, palco de lutas sangrentas que entretinham os romanos. Similarmente, atualmente no Brasil, a mídia, com destaque para a televisiva, vem ganhando um papel narrativo ao invés do informativo, e, em virtu-de disso, produz uma banalização de fatos chocantes. Tendo em vista esta problemática, a busca por soluções é imprescindível para a sanidade mental dos ouvintes, leitores e telespectadores brasi-leiros. Analisando o significado de espetáculo, conclui-se que se trata de algo fictício, que tem por objetivo despertar emoções ao indivíduo que o assiste. Trazendo este conceito aos meios de co-municação inseridos no cenário nacional, há críticas severas a respeito do modo de como as notí-cias são passadas à população, visto que são recheadas de dramaturgia. A exemplo da mídia tele-visiva, as câmeras que acompanham os fatos são direcionadas a mostrar cenas que floresçam algum tipo de emoção por parte do telespectador, fazendo com que as notícias se tornem verda-deiras obras cinematográficas. Ademais, a mídia brasileira peca na abordagem de fatos bárbaros e violentos, noticiando-os em glória da ação do criminoso. Um exemplo que retrata muito bem esta característica marcante é a abordagem telejornalística do “Massacre de Suzano”, crime ocorrido em 2019, onde a mídia mais se interessava em noticiar a população sobre a vida do assassino, tornando-o uma figura vilanesca famosa, em vez de conscientizarem seus espectadores sobre as consequências de uma seguran-ça fraca dentro das escolas públicas do país. Não só torna assassinos notórios, como também in-fluencia outros indivíduos a buscarem o mesmo reconhecimento seguindo a mesma fórmula. Portanto, para que a população seja bem informada de forma consciente e autêntica, é ne-cessária uma ação conjunta entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o Ministério da Justiça e Segurança Pública para que seja dever das companhias televisivas prestar um serviço coerente, abrindo mão da espetacularização e do teatralismo, assim como abordando temas polêmicos e chocantes sem glorificar os malfeitores, com risco de punição se descumprido. Abrir mão de uma boa cobertura jornalística é, também, abrir mão de uma informa-ção de qualidade de uma nação que carece disso.