Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 29/03/2020
Guerras. Pragas. Doenças. Segundo a mitologia grega, esses são apenas alguns dos males que uma ação imprudente trouxe à humanidade. A deusa Pandora, mesmo alertada dos perigos, abriu uma caixa proibida, deixando escapar, assim, todo o seu conteúdo nocivo. É possível estabelecer uma analogia entre esse mito e a postura de certos setores da sociedade, como o da mídia brasileira, já que algumas imprudências desta também tem libertado problemáticas, como as consequências espetacularização da violência. Por esse prisma, cabe analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem essa questão no país.
Inicialmente, analisa-se que o Poder Público se apresenta omisso ao permitir essa espetacularização. Isso porque há uma deficiência no processo de resolução dos crimes, o que tem gerado na população, e tem sido intensificado pelos meios de comunicação, o sentimento de impunidade, o que tem feito com que as pessoas aceitem a justiça com as próprias mãos e enxerguem a violência como a única forma de solucionar seus conflitos. Sendo assim, vê-se que o governo não tem assegurando o bem-estar de toda a coletividade, o que demonstra a violação dos preceitos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.
Outrossim, constata-se que aceitar a violência é naturalizar o mal. Prova disso é a forma, muitas vezes trivial, como a mídia aborda esses conflitos o que faz com que os cidadãos passem a se acostumar com tal hostilidade, gerando, dessa maneira, a mediocrização da vida, que pode ser impulsionada pelo compartilhamento de notícias, fotos e vídeos dessas brutalidades nas redes sociais. Todavia, parcelas da sociedade tem apresentado certa indiferença diante dessa problemática. A banalização desse mal pode ser elucidada tomando como base os estudos filosóficos de Hannah Arendt, já que, segundo ela, a massificação cultural faz com que as pessoas aceitem quadros negativos sem questionar.
Convém, portanto, ressaltar que, a espetacularização da violência na mídia brasileira deve ser superada. Para isso, é necessário que a população exija do Estado, mediante debates em audiências públicas, a agilidade do poder judiciário na resolução dos crimes, a fim de diminuir o sentimento de impunidade e, consequentemente, a justiça com a próprias mãos. Ademais, deve haver a sensibilização dos cidadãos, através do Ministério da Cidadania, sobre inviolabilidade da vida e da dignidade humana, com o objetivo de que adotem uma postura não apática diante dessa problemática. Desse modo, as ações imprudentes poderiam ficar restrita ao mito da caixa de pandora.