Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

Impresso. Telejornal. Online. São alguns dos tipos de jornais existentes no mundo, que possuem como função levar informação à população, para que esta esteja informada sobre os últimos acontecimentos. No entanto, quando o assunto é violência, os jornais brasileiros, na busca por audiência, ultrapassam os limites do jornalismo e expõem mais que o necessário. Dessa forma, é necessária a mudança nesse quadro de forma com que as consequências desse problema sejam amenizadas.

De início, cabe destacar que diante da busca por “cliques” a morte começou a ser banalizada e tratada como consumo, à medida que recebe muita audiência quando é exibida. Como foi o caso do acidente aéreo que provocou a morte dos integrantes da banda “Mamonas Assassinas” em 1996, fotos dos corpos irreconhecíveis viraram capas de jornais e 250 mil exemplares foram ás bancas.

Além disso, vale ressaltar que a abordagem da mídia televisiva de forma errônea afeta diretamente no trabalho policial e aumenta os riscos de uma operação fracassar. Em 2008 a adolescente Eloá Cristina foi sequestrada e mantida refém por seu ex namorado por 100 horas, até que assassinou-a. Durante o sequestro, diversos jornais televisivos transmitiram-o em tempo real como se fosse um filme de ação, ademais, apresentadores conversaram ao vivo com o sequestrador, o que dificultou o contato dos negociadores da polícia com o criminoso.

Torna-se evidente que a espetacularização da violência pela mídia ocasiona na normalização dessa na sociedade. Portanto, é mister que o Estado crie uma lei que fiscalize o jornalismo inconsequente e o impeça de divulgar fotos sensíveis e atrapalhar o trabalho das autoridades, para que assim não haja a banalização da morte e o comprometimento de vidas, como ocorreu, respectivamente, nos casos dos Mamonas Assassinas e da menina Eloá.