Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

Segundo as ideias do Sociólogo Habermas, os meios de comunicação são fundamentais para a razão comunicativa. Visto isso, com a invenção da imprensa no século XV e o advento do rádio e da televisão no século XX, a comunicação e a divulgação de ideias foram amplamente facilitadas. Entretanto, a mídia tem sido utilizada para espetacularizar a violência, o que resulta em uma série de fatores prejudiciais na sociedade. Assim, hão de ser analisadas tais elementos, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

Em função do “fundamentalismo de mercado”, o ser humano rompeu seu pacto com a natureza, em busca de lucro e de avanço tecnológico, conforme alerta o geógrafo Milton Santos. Nessa perspectiva, a mídia surgiu com o intuito de difundir informações, o que retrata a importância dos meios de comunicação na democracia, uma vez que a população adquire conhecimento sobre determinados assuntos, podendo tomar as melhores decisões. Porém, a mídia aproveita do seu poder de influência e propaga notícias de violência, um assunto que gera audiência, sendo utilizado como espetáculo para atrair o público, consequentemente as relações de lucro e interesse predominam. Faz-se, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Outrossim, é válido ressaltar que, conforme Imannuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ter uma prática universal. De maneira análoga, a divulgação de informações errôneas que envolvem pessoas vai de encontro à ética Kantiana. Por conseguinte, a mídia manipula as pessoas, na intenção de atrair públicos, distorcem fatos, gerando assim a “cultura do medo”, em que os indivíduos sentem medo de sair de casa devido a violência apresentada nos noticiários. Logo, a maneira como os crimes são expostos transforma a violência em algo banal, pois quando uma atitude opressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-las como errada, conceito elaborado pela socióloga Hannah Arendt. Desse modo, esse tipo diário de imagem favorece o crescimento da violência, evidenciando a urgência de alteração nessa esfera preocupante.

Diante disso, faz-se necessário que o Ministério da Comunicação deve conter o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de um Marco Regulatório da Comunicação, no qual estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de violência extrema nos canais televisivos, com o objetivo de impedir a banalização da violência. Além disso, cabe às entidades governamentais a elaboração de medidas que minimizem os efeitos das propagandas e noticiários que visam incentivar à prática violentas. Assim, as ideias de Habermas terá impactos positivos no ambiente social.