Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
O poder de influência é intrínseco ao ser humano. Dessa forma, desde a antiguidade a atração de pessoas a eventos violentos ,como lutas entre gladiadores ,são palco de grandes públicos. No entanto, a espetacularização da violência é cada vez mais potencializada pela mídia e, no caso brasileiro, as consequências são especialmente negativas. Por isso, faz-se necessário corrigir a maneira como a mídia trata tal assunto.
Em primeira análise, os meios comunicativos que noticiam casos de violência objetivam alcançar o máximo de espectadores possível. Contudo, a mídia tem distanciado-se do jornalismo puro, com a função estritamente informativa, na medida em que o destaque das reportagens estão no espetáculo, naquilo que é absurdo e inédito. Além disso, a psicóloga comportamental Nayara Peron destaca que os adolescentes e jovens são mais afetados, pois a inexperiência de análise crítica sobre o conteúdo consumido dificulta a filtragem da notícia.
Em segunda análise, a filósofa Hanna Arendt expõe sobre a banalidade do mal, em que os indivíduos enxergam a violência como algo comum do cotidiano. A morte violenta, aliás, deixa de causar comoção e o sensacionalismo impera nos veículos de circulação em massa. Nesse sentido, a informação deixa o caráter político-social em segundo plano e, ainda que distorcidas, as cenas ou áudios influenciam comportamentos e banalizam o horror.
Portanto, é importante que medidas sejam tomadas para atenuar as consequências da espetacularização da violência. Para isso, é necessário que a classificação indicativa dos programas sejam definidos e orientados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o intuito de reduzir que indivíduos menores tenham contato com conteúdo inadequado para a faixa etária. Ademais, cabe aos produtores de matérias diminuir a exposição de imagens violentas,por meio da promoção de assuntos mais relevantes como economia, a fim de minimizar a banalidade do mal e influenciar a empatia nos interlocutores.