Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 24/03/2020
Recém tirada a faixa dos olhos de um Bird Box, o mundo viu-se livre e desconstruído após o final da guerra fria e a queda do muro de Berlim, em 1989. Contudo, despreparado para lidar com o fim das faixas e dos muros, esse mundo vive, atualmente, problemas relacionados ao espetáculo da mídia brasileira sobre a violência nacional e suas consequências. Nota-se que esse problema é fruto de uma hiperconectividade, assim como de uma crise de confiança.
É importante, primordialmente, ressaltar essa hiperconectividade da sociedade contemporânea. Nota-se que o advento da 4ª Revolução Industrial, com o uso de nanotecnologia, tornou possível que mais pessoas usassem a internet, popularizando-a. Contudo, seu uso nos dias atuais divide opiniões. Embora apresente um grande potencial para se obter notícias (devido ao seu alcance global), a mídia nacional vem, nos últimos anos, criando espetáculos em reportagens que deviam ter um sentido apenas informativo, como houve em reportagens sobre o caso da escola em Suzano, onde a mídia não identificou o autor do genocídio, mas detalhou os mínimos detalhes de como tudo ocorreu. Esse fato traz como consequência insegurança à sociedade, pois ao invés de prevenir que casos assim ocorram novamente, leva á tona a possibilidade de esses casos acontecerem novamente, uma vez que todo o procedimento foi explicitado pela mídia.
Paralelo a essa hiperconectividade, destaca-se a crise de confiança que circunda esse fato social. Dirigidos por uma postura de rebanho, de Nietzsche, que afirma que o ser humano é conformado com tudo lhe é concedido enquanto sociedade, os indivíduos sociais acreditam que essa espetacularização da mídia é algo corriqueiro, e, em determinadas vezes, utilizam desse espetáculo para enfatizar discursos contra uma determinada minoria, como ocorre atualmente em função do coronavírus, onde inúmeras pessoas vêm levantando discursos extremamente xenofóbicos contra a população chinesa, se aproveitando de notícias tendenciosas da mídia. Esse tipo de prática retarda o combate a esse teatro da mídia, pois traz como consequência a ideia de que sempre tem um inimigo que deve ser odiado por todos, atrasando os ideais da globalização.
Em suma, consta-se a necessidade de reestruturar a forma como as notícias chegam na mídia e como seu público-alvo a recebe. Cabe ao Ministério da Tecnologia, Ciência, Inovações e Comunicações promover essa mudança. Essa promoção pode se dar por meio de uma relativização de certas matérias violentas, visando mostrar o ocorrido de todas as maneiras e abrir, para o público-alvo, maiores pontos de vista sobre determinados ocorridos, visando, assim, a médio prazo, a diminuição de espetáculos midiáticos.