Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/03/2020
No Império Romano, o Coliseu foi o principal anfiteatro na batalha entre gladiadores e tornou-se palco para espetacularização, convertendo-se em entretenimento e audiência. Logo, no atual cenário brasileiro, o imediatismo da mídia provoca, em cenário nacional e local, notícias sem precisão que ocasionam o medo, o pânico e, principalmente, afeta a saúde mental da população, tendo a espetacularização como principal objetivo. Em detrimento disso, é essencial voltar aos princípios norteadores do jornalismo.
Ao se examinarem alguns fatos verifica-se que a mídia brasileira ignora o princípio norteador do jornalismo: a precisão em noticiar. Isso é resultado do imediatismo em fazer a notícia circular em primeira mão, sendo que a isso atribui-se a competitividade entre os jornais e telejornais. Em vista disso, a função referencial da linguagem, que atribui precisão ao fazer jornalismo, é excluída e não levada em consideração. Em virtude dessa forma de se fazer jornalismo, sendo muito estimulada pela competitividade, é coerente que sempre haja uma apuração adequada antes de passar informações ao público.
Além disso, a saúde mental da população é afetada diretamente devido a espetacularização da violência pela mídia e torna-se uma das piores consequências. Isso porque segundo a Organização Mundial da Saúde, 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental e, em conformidade com a Revista Exame, o brasileiro consome em média 20 horas semanais de televisão, tornando-se um dos países que mais assistem televisão no mundo. Dessa forma, a mídia exerce um efeito negativo sobre a saúde mental da população. Em decorrência desse fato, é imperioso realizar ações preventivas na busca de minimizar os efeitos da espetacularização midiática sobre a saúde psíquica da população.
Portanto, é fundamental, para resolver essa problemática, a revisão dos princípios norteadores da jornalismo brasileiro. Em primeiro lugar, é preciso que o Congresso Nacional elabore leis que multem jornais e telejornais que não busquem, de forma adequada, a precisão na informação passada, e que o imediatismo, sem precisão de informações, não seja virtude dos meios de comunicação. Segundo, é preciso que o Ministério da Saúde na figura do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) busque tomar medidas preventivas na atuação da mídia sobre a saúde mental da população. Isso pode ser feito através de palestras semanais coletivas abertas a todos os brasileiros sobre o comportamento mental em relação a violência evidenciada pela mídia. E, só assim, pode-se-á confiar nas informações repassadas e proteger a saúde mental da população brasileira.