Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 27/03/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o cenário de espetacularização da violência pela mídia brasileira , hodiernamente, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrisecamente ligada à realidade do país, seja pela ausência de leis que limitem excesso de conteúdo violento midiático ,seja pela constante transmissão de noticiários violentos por meio de jornais sensacionalistas. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de leis que coibam a desenfreada transmissão de atitudes como linchamento, assassinatos e assaltos, colaboram para o rompimento dessa harmonia, haja vista que ocorre a banalização da vida e, consequentemente, a fomentação da violência.

Outrossim, destaca-se o jornalismo sensacionalista, que perpassa os limites éticos e morais, somente vizando obter audiência impulsionando, dessa maneira, o problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que nessa situação esse tipo de jornalismo acaba condenando vítimas de violência, que deviam ser protegidas e acolhidas pela população, à exposição pública, agravando,dessa forma, o estado de vunerabilidade dessas pessoas.      É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Senado deve combater a disseminação da violência como espetáculo, através da criação de leis que restrinjam a quantidade de reportagens violentas dos programas jornalísticos. Com o fito de reduzir a banalização da violência e refreiar o avanço da indústria sensacionalista de televisão. Melhorando, dessarte, o equilíbrio social.