Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 28/03/2020
“Dai-me a liberdade para saber, expressar e arguir livremente de acordo com minha consciência acima de todas liberdades”. Tal célebre pensamento atribuído ao intelectual inglês John Milton constituiu o embrião da sociedade ocidental, da liberdade de expressão e de ideias, tão presente na consolidação dos valores da nossa democracia pós ditadura militar, e a mídia brasileira se faz imprescindível nesse processo. No entanto, faz-se mister destacar os efeitos corrosivos da espetacularização da violência pela mídia brasileira.
A espetacularização da violência se tornou um instrumento tão bem sucedido hodiernamente visto o grande anseio da população por respostas imediatas de um Estado que tem se mostrado anômico, cuja capacidade de resposta não consegue se realizar, levando a um aumento da sensação de insegurança e ao descrédito das instituições. Faz-se dever e obrigação do Estado como promotor do bem público, portanto, a utilização de instrumentos legais, jurídicos e policiais para maior agilidade e eficácia contra a violência, mantendo o canal de comunicação transparente para com a população.
Vale frisar também o papel fundamental da mídia brasileira nesse processo, ou seja, sua importância na formação de opiniões. Tais medidas contra a banalização da violência não devem somente partir da esfera pública, assim se torna necessário aliar ao exercício das funções jornalísticas a filosofia moral, isto é, práticas éticas no corpo dessa instituição, tomando cuidado para não esbarrar na censura em si.
O panorama atual ao qual a sociedade brasileira se encontra está marcado por um fortalecimento dos discursos de violência pela violência, que com o aumento da sensação de insegurança aumentam o anseio por represálias como forma de resolução de um problema muito mais complexo, que envolve o Estado e a esfera privada. É, desta forma, primordial que denunciemos práticas antiéticas da mídia e, como sujeitos políticos, revindiquemos maior atuação do Estado na escalada da violência.