Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/03/2020

A República Federativa do Brasil constitui-se a partir da noção de Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, zela, ou deveria zelar, pela segurança de todos os indivíduos. Sob essa perspectiva, deve-se analisar a ação da mídia com relação a violência no país, uma vez que a exposição dessa é exagerada e utilizada para aumentar o número de telespectadores. Há de se considerar, ainda, que essa espetacularização pode influenciar a ocorrência de novos crimes, o que pode ser visto como uma problema de âmbito nacional.

Inicialmente, é necessário ressaltar que os índices de violência brasileiros são altos e que isso deve ser pontuado pela mídia como forma de ação comunicativa, o que, como mencionado pelo sociólogo Habermas, é essencial para a mudança na sociedade. Deve-se analisar, no entanto, a maneira e a frequência que ocorrem as menções de crimes, pois a maioria dos noticiários, por entenderem que esse tipo de informação gera maior audiência, por elas serem alarmantes e, sobretudo, chocantes, utilizam delas para se beneficiarem. Isso pode ser negativo já que em uma tragédia existem várias pessoas envolvidas e sensibilizadas por ela, e a forma abrupta que os noticiários se referem a elas desconsideram suas particularidades e sentimentos. Como conseguinte, esses indivíduos são expostos a situações cruéis e tendem a ser ainda mais prejudicados.

Seguindo esse raciocínio, pode-se mencionar, também, que, assim como retificado pelo sociólogo Nietzsche em sua tese “Moral de Rebanho”, a população tende a propagar atitudes, geralmente anti-éticas, que são discursadas por grupos considerados dominantes, que, no caso, podem ser os grandes meios de comunicação. Com base nisso, nota-se que a espetacularização da violência tende a aumentar os níveis dela, uma vez que as pessoas agem de acordo com o que lhes é mostrado como predominante. A consequência disso é a diminuição da segurança pública e o afastamento da aplicação de premissas constitucionais, o que deveria ser combatido pelo Estado.

No que concerne ao enfrentamento da romantização da violência pelas mídias, em busca da diminuição de suas consequências negativas e o cumprimento da Constituição Cidadã, urge a adoção de medidas que atenuem o imbróglio sem limitar as liberdades de expressão. Faz-se necessário, portanto, que a Secretaria de Segurança Pública, em parceria do Governo Federal, amenize a forma que são feitas as noticias e auxilie a população a não ser incentivada pelos crimes. Isso seria efetivado por meio de multas aos meios que prejudicarem a individualidade das vitimas de crimes e propagandas nas televisões e rádios alertando sobre a importância da empatia e as consequências da violência para todos. Assim, será factível a redução do problema e dos índices de agressividade no país.