Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 28/03/2020

Vive-se hoje em uma sociedade cada vez mais imediatistas, em que há a busca por informações rápidas e instantâneas, no qual crimes envolvendo mortes é parte da rotina da população. Sendo assim, os 60.602 assassinados no ano de 2017, para muitos se tornou apenas mais uma estática, para as mídias que visam a espetacularização apenas um entre muitas oportunidades de obter audiência.        Neste contexto, os jornais sensacionalistas seguem quase sempre os mesmos clichês: um apresentador, gesticulando compulsivamente para as câmeras, armado com frases de efeito, notícias dramatizadas e apresentação ao vivo, tudo planejado para obter telespectadores. Porém tais atos possuem o poder de intensificar a visão de que a morte violenta é algo normal no cotidiano, portanto não haveria nada a ser feito. Tais aspectos vão ao encontro do conceito de “banalidade do mal” da filosofa Hannah Arendt, no qual analisa as atrocidades cometidas pelos nazistas e que para eles eram algo banal.

Ademais, outra característica negativa encontrada é a exaltação da violência promovida pelas mídias na cobertura de atentados, fazendo com que os criminosos envolvidos ganhassem notoriedade pelos seus atos hediondos, assim como ocorrido no massacre de Columbine nos Estados Unidos, em que os nomes dos atiradores ficaram conhecidos do mundo todo e inspiraram outros jovens com pré-disposição à violência a cometer crimes similares como foi o caso do massacre de Suzano.

Portanto, é inerente para as mídias que buscam cumprir os valores éticos da profissão, promovem campanhas e notícias capazes de alertar a população sobre a importância de se lutar pela segurança do país, com a pretensão de combater o mal banal. É também necessário que a mídia e o governo tomem a iniciativa de não divulgarem os nomes de envolvidos em massacres e atos terroristas, a fim de manter os autores em anonimato, assim como a Primeira Ministra da Nova Zelândia, prometeu que jamais pronunciaria o nome do autor de um ataque a uma mesquita no país. Tendo a finalidade e evitar que novas tragédias como a de Suzano se repitam no Brasil.