Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 26/03/2020
No cotidiano brasileiro, programas televisivos que abordam, frequentemente, crimes e casos violentos de forma sensacionalista são comuns. Entretanto, apesar de suas inúmeras consequências, a espetacularização da violência pela mídia é tida como um processo inercial, uma vez que o governo é inoperante quanto à imposição de limites à apelação midiática e a sociedade é inerte no que tange à interrupção de tal contexto.
Inicialmente, é primordial ressaltar que os órgãos públicos são negligentes no que se refere ao excesso de matérias sensacionalistas divulgadas pelo jornalismo brasileiro, visto que não há leis ou decretos que impeçam o seu exagero ou foco na área criminal, pois estas trazem lucros à economia. Esse contexto de ingerência transcende à ficção, como é observada no decorrer do filme ‘‘Uma Noite de Crime’’, cujo enredo retrata um período caótico na sociedade devido à inação estatal, que se assemelha a realidade brasileira no âmbito midiático. Assim, como consequências da ineficiência citada, vislumbra-se o aumento do número de crimes, posto que o detalhamento minucioso dos casos pode servir de inspiração para outros, seguido pelo crescimento de transtornos psicológicos, como a síndrome do pânico, devido à extrema insegurança.
Ademais, a sociedade, inconsciente de sua importância para a resolução da problemática, persiste em acompanhar os noticiários, incentivando a sua continuidade, e se inserindo em um estado de alienação. Por conseguinte, conforme o importante sociólogo Auguste Comte, é necessário ‘‘ver para prever, a fim de prover’’, ou seja, a nação usuária da especularização midiática, deveria realizar previsões acerca das consequências à longo prazo e, desse modo, reivindicaria por mudanças. Sendo assim, caso a população seguisse a ideologia comtiana, a saúde mental dos brasileiros se tornaria mais estável e algumas situações de violência dissipariam.
É evidente, portanto, que, diante dos argumentos supracitados, a questão da especularização da violência pela mídia deve ser resolvida com urgência. Para que isso ocorra, a Secretaria Especial de Comunicação Social deve transmitir, por meio da criação de propagandas educativas veiculadas por folhetos chamativos e dinâmicos, a mensagem de que a mídia, apesar de ter o papel de informar, passa por um momento conturbado em que falsas, e exageradas, notícias são enviadas com o intuito de afetar os brasileiros negativamente. Dessa forma, a população, anteriormente alienada, terá conhecimento sobre o tema e, de forma conjunta com o governo, agirá corretamente em busca do equilíbrio.