Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 01/04/2020
Durante a idade média era comum a prática de punições, como decapitações ou enforcamentos em praça pública, nas quais as pessoas se reuniam para assisti-las e usavam-nas como um meio de entretenimento. Dessa forma, é possível observar a similaridade com o mundo atual no momento em que as mídias, apesar de ter um grande papel informacional, espetacularizam notícias violentas para entreter o povo. Nesse sentido, a banalização do sofrimento alheio e a produção de pânico na população são algumas das problemáticas presentes no sensacionalismo midiático.
A princípio, é importante ressaltar que a liberdade de imprensa é assegurada pelo artigo 5° da Constituição Federal mas, algumas vezes, esse direto é capaz de ferir o respeito à dignidade humana. A exemplo disso, o programa Cidade Alerta noticiou ao vivo uma mãe recebendo a notícia da morte de sua filha, deixando claro a banalização desse tipo de acontecimento por meio do programa e da emissora, uma vez que não houve respeito a esse momento delicado e a mulher, por estar atordoada, não teve a chance de proteger sua imagem. Consequentemente, é possível observar que fatos trágicos como esse são cada vez mais noticiados como meros acontecimentos ou são transformados em espetáculos para prender a atenção do público.
Não obstante, os veículos de comunicação muitas vezes propagam notícias que causam pânico na população por serem extremamente manipuladas e exageradas. Paralelamente a isso, o filósofo Foucaut criou o conceito de “corpo supliciado”, o qual salienta o uso da violência por parte dos reis em espetáculos públicos para mostrar seu poder e causar temor ao seu povo. Dessa maneira, informações sensacionalistas que inflam cenários de violência ou calamidade pública em diversos âmbitos são propagadas de forma irresponsável por essas mídias haja visto, que alimentam muitas fake news gerando desinformação e alienação em várias camadas da sociedade.
Portanto, faz-se necessárias medidas para mitigar o sensacionalismo praticado pelas mídias. Logo, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) deve advertir os meios de comunicação que usufruírem dessas técnicas por meio de comunicados públicos, assim a população poderá ter consciência da gravidade da situação, além de solicitar a retirada desse conteúdo manipulado a fim de proteger a dignidade das pessoas expostas e incentivar a replicação de informação de modo responsável. Ademais, os indivíduos devem denunciar ao ministério público ou a própria ABI, todas as notícias que julgarem desrespeitosas ou exageradas para que assim, a espetacularização da violência possa ser punida de forma justa e que suas consequências ao público possam ser minimizadas.