Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/03/2020
Segundo o conceito de “Habitus” do sociólogo francês Pierre Bourdieu, as visões sociais são determinadas por agencias, como a mídia. Dessa forma, torna-se claro que essa tem um papel fundamental de influenciadora, contudo pode ser positivo ou negativo. Nesse sentindo, ao analisar a atual conjuntura midiática, observa-se que o principal assunto é a violência, portanto a espetacularização gera consequências negativas ao propagar uma visão á sociedade, uma vez que trata-a como algo banal e influenciam na opinião pública..
Sabe-se que a violência está presente na sociedade desde a sua origem. Entretanto, com o avanço da tecnologia, passou-se a ser exposto e produzido pela mídia, no intuito de despertar o interesse ao telespectador. Desse modo, tornou-se comum deparar-se com novelas, noticiários e programas televisivos que remetem os atos violentos, tal como o UFC. Contudo, geram grandes impactos, dado que normatizam e banalizam esses feitos agressivos à população, que reproduz ou se acostuma com as diversas situações do cotidiano. Logo, a apatia pelo sofrimento e da vida alheia vem à tona, consequentemente, fica acessível o uso da justiça pelas próprias mãos.
É certo que o trabalho da imprensa é a transmissão de informação à população, porém a maioria dos fatos são intensificados, com o objetivo de gerar uma comoção social. À vista disso, em muito dos casos culpabilizam pessoas sem ter a apuração jurídica, e como consequência induz a formação da opinião pública. Por conseguinte, emerge o proposto por Bourdieu, visto que modifica a visão do cidadão de acordo com a exposição midiática. Dessa forma, em muito dos casos, o sujeito é julgado pela coletividade como inapto para o convívio social, podendo assim, até influenciar nos julgamentos jurídicos e colocar em risco sua própria estabilidade e legitimidade.
Infere-se, portanto que é necessário mudanças. Então, cabe ao Ministério da Comunicação conter a exibição e supervalorização de notícias e programas que exploram feitos violentos, por meio de leis que limitam em número, a veiculação desse gênero em canais abertos, com o objetivo de impedir a banalização da violência e morte. Além disso, cabe ao Poder Judiciário notificar emissoras que interferem judicialmente nos casos e infligem o pressuposto pela liberdade de expressão -uma vez que modificam o pensamento individual-, por meio de multas e punições administrativas, com o intuito de refratar a influência dessa, na sociedade. Dessa maneira, será possível diminuir as consequências do atual espetáculo midiático.