Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 26/03/2020

Atualmente há muita espetacularização da violência pela mídia brasileira. Este fato deve-se, principalmente, ao tempo líquido vivido pela sociedade- teoria proposta pelo sociólogo Bauman, o qual afirma que nada é feito para durar. Logo, a fim de gerar conteúdos que prendam a atenção do espectador, a violência é explicitamente exposta nas mídias de comunicação. Por conseguinte, tal ação colabora para com a banalização da vida e o surgimento de “justiceiros”.

Em primeira instância, durante o Nazismo, a vida da raça considerada inferior fora extremamente banalizada. Ora, pode-se afirmar que a mídia, por meio de comerciais, instigou o ódio contra judeus. Por consequência, as mortes no Holocausto pouco chocaram a sociedade alemã, esta que foi induzida a acreditar que as pessoas “inferiores” mereciam morrer. Com certeza, o fato decorrido anteriormente é uma passagem na história. Entretanto, a extrema banalização da vida humana pode voltar caso a mídia continue expondo abertamente casos de violência, gerando um ódio contra os considerados culpados.

Em segunda instância, na série norte-americana, “The Umbrella Academy”, tem-se uma família de super-heróis que, ao ficarem famosos, expõem a violência que combatem. Por isso, surge um “justiceiro” que, na esperança de ajudar a sociedade e dizimar o mal, mata diversos inocentes que foram erroneamente condenados pelo senso de justiça adquirido pelas exposições acompanhadas nas mídias. Indubitavelmente, o relato é mera ficção. Todavia, é uma possibilidade caso as exibições de crimes cruéis não sejam diminuídas pelas mídias.

Em suma, a necessidade de gerar conteúdo para prender a atenção do telespectador, contribui para com a banalização da vida, como visto no Nazismo, e para o surgimento de “justiceiros”, como apresentado na série. Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal possa- por meio de fiscalizações das mídias brasileiras- diminuir a desnecessária exposição da violência. A fim de findar com o surgimento de “pseudo-heróis” para que não hajam mortes errôneas.