Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 31/03/2020

Na saga “Jogos Vorazes”, a mídia é figurada como um forte instrumento de dominação das massas. Uma vez que, é conduzida por um ditador a fim de legitimar seu jogo anual de vida e morte entre os distritos, enquanto a capital exerce o papel de telespectadores perante o sofrimento alheio. Fora da ficção, a cultura da violência é promovida pela mídia de forma desvinculada de sua função, estabelecendo uma relação econômica entre aquilo que é produzido e aqueles que consomem essa produção, visando a repercussão e a audiência. Nesse contexto, a imprensa explora exaustivamente os casos, gerando uma espécie de noticias seriadas. De modo o qual, estimula atitudes adjutórias ou expansão do mesmo tipo de violência, interferindo diretamente na vida dos envolvidos.

Em virtude da contextualização de violência e cultura, é preciso considerar os avanços da tecnologia de comunicação, que projetaram a informação de patamares jamais observados. Das mídias impressas às telefônicas, das redes sociais aos blogs, a sociedade nunca recebeu tanta informação como nos dias atuais. Diante dessa transformação, a informação produzida ficou mais rápida e acessível, mas também confundiu os critérios de prioridade e estabelecimento de espaço. Não importa o conteúdo, mas o quanto o elemento violência é capaz de ser mantido a fim de criar e manter significados. A realidade do outro comparado à indignação, reforçam as virtudes do cidadão comum, que pode julgar-se a si mesmo e tomar atitudes conforme a situação lhe permitir.

Outrossim, a mídia relega a informação a um nível secundário na busca pela audiência. Assim, algumas funções da mídia são corrompidas, como exemplo, a educação e prevenção do público para combater e proteger-se da violência e criminalidade. Ao abortar exaustivamente situações de violência, os sentidos humanos são influenciados pelo imaginário, reduzindo ou ampliando as ameaças dos ambientes os quais estão situados. Todavia, a ambição de passar o conteúdo em primeiras mãos, nem sempre em virtude de noticiar fatos concretos, mas a fim de criar repercussão, acaba afetando diretamente a vida do indivíduo relacionado, uma vez que grande quantidade de informações sobre ele é exposto. Tal ato, acarreta em tomadas de atitudes muitas vezes  errôneas e precipitadas por parte do público, uma vez que o próprio encontra-se influenciado pela produção midiática.

Tendo em vista os aspectos analisados, cabe a Secretaria Especial de Comunicação Social juntamente com os meios de produções midiáticas, a exerção de sua principal função, que é garantir a coletividade, visando não só noticiar, mas instruir e dar forma aos questionamentos da população,a fim de estimular a reflexões. Uma vez que, a responsabilidade dos meios de comunicação também abrangem o desafio de apresentar soluções para o enfrentamento da violência.