Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 01/04/2020

O cantor de Samba Roberto Silva em sua música “Jornal da morte” faz uma crítica a cultura do medo implantada pela mídia. Nota-se este fato no verso “Vejam só esse jornal, é o maior hospital, porta-voz do bang-bang, e da polícia central…”. A música crítica a forma como os veículos de comunicação, disseminam a informação. Pois, considerando que, esta ajuda na formação da opinião pública, quanto utiliza dos meios de comunicação para fomentar o consumo, ditar regras e agir com interesses lucrativos pode trazer diversas consequências para a população como o aumento das intolerâncias e preconceitos, bem como, o desenvolvimento de indivíduos mais agressivos. Em primeiro lugar, segundo o filosofo Guy Debord, o mundo após a revolução industrial, com o advento da globalização era um mundo que dependia da imagem. Este acreditava que ela mostrava a reprodução total da realidade, e a mídia seria utilizada como um instrumento de controle social. Este cenário não destoa da nossa realidade, pois os meios de comunicação influenciam a sociedade manipulando-a, ao propagar o medo ao criminoso, que geralmente se apresenta na figura de uma pessoa pobre, ou negra a desigualdade social é induzida na cabeça das pessoas. Um exemplo disso é a associação automática da imagem de um assaltante a um homem negro pobre que está incutida na sociedade brasileira, enquanto, nunca pensaríamos em um homem branco e rico como um assaltante. Em segundo lugar, isso pode acarretar também na diminuição de oportunidades de emprego e estudos para esta parcela da população. Em um processo seletivo, por exemplo, para conseguir um trabalho o recrutador por ter essa imagem autoformada dificilmente contratará o jovem pobre de cor negra. Além da utilização do medo como estratégia de controle, criminalização e brutalização dos pobres, o ato dos meios de comunicação de explorar a crueldade em troca de audiência pode levar ao desenvolvimento de um comportamento agressivo. As pessoas ao absorverem este tipo de conteúdo começam a considerar a violência como algo normal e podem reproduzir este modo de agir a “American Medical Association” nos EUA, publicou um estudo que mostrava que as crianças por terem um baixo juízo de valor são o público que mais absorve esta informação. Urge, portanto, que o Ministério da Comunicação contenha o excesso da valorização e exibição de notícias que exploram atos de brutalidade, por intermédio da criação de uma lei, que estabeleça limites para veiculação de imagens e vídeos de violência extrema em canais abertos, com o objetivo de diminuir os preconceitos gerados pela disseminação deste conteúdo. Além disso, cabe as escolas conscientizarem os pais sobre os perigos causados pelo conteúdo violento, através de palestras ministrados por professores e psicólogos em respeito ao conteúdo assisto pelas crianças na televisão, com a finalidade de minimizar a exposição deles a violência.