Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 31/03/2020
Em 1808, a chegada da família real portuguesa no Brasil trouxe importantes mudanças para a Colônia, dentre essas, o surgimento da imprensa. No Brasil atual, a imprensa ainda mantém sua devida importância, porém, sua espetacularização intensa, muitas vezes disseminando informações invasivas, em especial no âmbito da violência, pode gerar graves danos na formação da mentalidade dos indivíduos.
É preciso inicialmente analisar o quão importante é mídia em um contexto global, sua importância vai além da simples disseminação de notícias, mas deve também proporcionar a formação de um pensamento crítico da realidade. Contudo, quando a notícia vem de forma instantânea, sem uma devida análise previa e gera uma espetacularização, não se torna possível essa formação de um posicionamento crítico.
Observa-se também o quão danoso é para o receptor da notícia o constante contato com acontecimentos violentos. Um dos fundadores da sociologia, Émile Durkheim, defende que o ser humano é um ser em constante formação, sendo esse um produto do meio em que vive. Portanto, indivíduos que estão em frequente contato com acontecimentos violentos, logo esses acontecimentos serão naturalizados e o individuo tende a reproduzidos.
Dessa forma, fica evidente que medidas precisam ser tomadas para solucionar a problemática da espetacularização da violência pela mídia brasileira. Portanto é cabível que o Ministério da Educação inclua nas matrizes curriculares dos cursos de graduação em jornalismo uma disciplina obrigatória que discuta o papel e até mesmo o limite da mídia no relato de situações violentas, para que assim os futuros profissionais da mídia tenham a consciência de sua verdadeira função ao relatar informações desse tipo.