Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 27/03/2020
Exposição das fraquezas morais do ser humano e banalização da violência: duas consequências da excessiva procura da mídia pelos casos de violência. Segundo Mário Pereira Gomes, advogado e jornalista, “o objetivo da televisão nunca foi mostrar a realidade como ela é, mas sim como querem que nós vejamos. Donos de um poder imenso, a violência se torna algo comum. Quanto mais tragédias mundiais melhor para ela porque assim aumenta a audiência.” Essa visão, quando aplicada ao jornalismo, revela os objetivos e a realidade da mídia.
A priori, os casos de excessiva violência divulgados pela mídia transformam uma situação incomum em casos incapazes de surpreender o ser humano. Mesmo considerando o aumento da violência nas últimas décadas, entende- se que o noticiário tem uma prioridade superior a de informar: manter uma grande audiência. Dessa maneira, transformam a violência em uma estratégia de alcançar o público alvo. Tal situação marginaliza as ações voluntárias do homem e contribui para a insensibilização do indivíduo frente aos inúmeros casos divulgados de violência.
Além disso, as fraquezas morais do homem são excessivamente enfatizadas a ponto de reduzi-lo em um ser completamente imoral..Ao lado da invisibilidade das ações voluntárias praticadas pelo homem, sugeridas acima, o próprio homem solidário com o próximo também não tem notoriedade. O que se vê é uma sobreposição do traficante, estuprador, pedófilo, assassino. Assim, tem-se a ideia de que o ser humano se reduz à transgressores. Segundo Vitor Blotta, pesquisador do Núcleo de Estudos de Violência na USP, a mídia banaliza a condição moral das pessoas
Percebe-se, portanto, diante do exposto, que o foco midiático tem consequências na percepção da violência e do caráter do ser humano. Tendo como finalidade reduzir essas consequências, exige-se a ampliação do espaço na mídia para os exemplos que expande a percepção do homem e do seu lugar. Seria um grande passo para humanização do personagem e dos seus atos, a redução dos canais de cunho nacional e a criação de mídias locais, visando mostrar o cidadão na sua comunidade. Essa mudança é de responsabilidade primeira dos nossos legisladores, regulando sem censura a atuação da mídia, e, como corresponsáveis, dos representantes executivos da mídia.