Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira

Enviada em 30/03/2020

Os veículos de mídia tem papel fundamental na transmissão de informações verídicas para o público. No entanto, conforme a ótica do sociólogo Bourdieu, sobre a relação entre mídia e violência, a televisão, por depender da audiência de seus telespectadores, sofre pressão do meio econômico para atrair audiência, levando os meios de informação a investirem em programas que obtenham atenção dos audientes, adaptando conteúdos de teor violento ao gosto do público. Dessa forma, ao produzir programas que espetacularizam a violência estrutural presente no país, a mídia brasileira vai contra os princípios constitucionais.                                                                                                                            Conforme previsto na Constituição de 1988, Art.221, a produção de rádio e televisão deve atender princípios, como dar prioridade à programas com finalidades educativas, culturais e informativas, respeitando aos valores éticos e sociais da família. Esses preceitos, todavia, são transgredidos, visto que inúmeros meios midiáticos noticiam informações delicadas de cunho emocional, com cenários violentos de forma espetacularizada. Com a finalidade de tentar transformar em entretenimento, ao invés de dar visibilidade à um especialista, que poderia avaliar e informar sobre o tema em questão, sob uma perspectiva profissional, as emissoras produzem programas que pouco contribuem com a finalidade informativa do jornalismo.

Em decorrência do contexto histórico violento em que o Brasil fundou suas bases, a violência se tornou algo naturalizado nas esferas social e cultural do país, difundindo essa naturalização para os mais diversos âmbitos da sociedade. Nesse contexto, portanto, como o jornalismo é um reflexo da estrutura social, muito do que é publicado nos programas policialescos é estimulado pelo corpo empresarial,qual visa obter benefícios financeiros com o aumento exponencial de audiência, devido aos patrocínios, assim, compactuando com o interesse do público brasileiro em consumir conteúdos  violentos.

Destarte, diante do exposto das consequências da espetacularização da violência pela mídia, são necessárias medidas que intervenham no quadro.  Nesse sentido, compete ao Poder Legislativo, formular um projeto de lei, que visa, por meio de recursos orçamentários, o aumento do número de canais de rádio e televisão aberta, com o objetivo de democratizar conteúdos culturais, criando mais opções para o público geral poder diversificar as fontes de entretenimento, o afastando de conteúdos que espetacularizam a violência. Além disso, o projeto de lei citado, se baseia no Art. 221, pode regulamentar programas que dramatizam conteúdo violento, buscando priorizar programas informativos.