Consequências da espetacularização da violência pela mídia brasileira
Enviada em 30/03/2020
A Revolução Industrial foi responsável por caracterizar a dualidade entre dominantes e dominados. E embora existiam ideias distintas, a ideologia dos dominantes se sobressaía como se só existisse uma única perspectiva, de modo que, a tornava universal. Outrora, a mídia, ao espetacularizar a violência, acaba por exibir um ponto de vista único de verdade. Acerca disso, convém avaliar as consequências dessa forma exposição.
Primeiramente, podemos salientar a maneira como o Estado islâmico divulga suas ações faz crescer cada vez mais os jihadistas. Em paralelo a isso, o conceito de Ideologia de Karl Marx, cita que a imagem/ideia definida pelos dominadores é exposta de tal modo, que é vista como única perspectiva verdadeira. No entanto, é uma ideia falsa pois existe outra. Assim a forma como o terrorismo expõe os seus atos midiaticamente demonstra força e incentiva recrutar pessoas pela cultura do medo.
Faz-se mister, ainda, salientar, na era da pós verdade, a forma como a mídia expõe a violência com um teor de sabedoria e com um tom emotivo. A espetacularização, por vezes, consegue tornar o bandido uma vítima da sociedade opressora. Como exemplo , a utilização do argumento que o tal criminoso foi impulsionado pela desigualdade social e, ainda, valendo -se de Jean Jacques Russeal: “todo homem nasce bom, e a sociedade o corrompe”. No entanto, a esse despeito, Arthur Schopenhauer afirma: “Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo.” Desse modo, um discurso sensacionalista com perspicácia facilmente pode persuadir – como aqueles que na Revolução Industrial não tinham tempo de pensar pois precisavam em longas jornadas trabalhar – tornando assim o fato relatado como uma verdade neutra e universal.
Infere-se, que a espetacularização da violência pela mídia pode ser exacerbada e de visão unilateral e, portanto, necessita de ações de mudança. Cabe aos educadores a inserção de projetos educacionais e culturais à população, incentivando o debate sobre os reflexos da persuasão de nossos costumes, a fim de que os indivíduos tenham visão crítica do que recebem como informação. Ademais, os meios de comunicação devem se responsabilizar pelo conteúdo transmitido e atuar em produções que estimulem o interlocutor a questionar sobre valores arcaicos e propague valores éticos e democráticos. Assim, a reformulação da Indústria Cultural possibilitará ao brasileiro um maior empoderamento de suas ideias e hábitos.